O recente encerramento da consulta aberta em Cantanhede e a falta de resposta do Governo a “outros problemas nos serviços de saúde do concelho que se arrastam há demasiado tempo” foi a questão dominante dos discursos da cerimónia solene comemorativa do Feriado Municipal da autarquia cantanhedense, no passado sábado, dia 25 de julho.

Helena Teodósio e o antecessor, João Moura, atual presidente da Assembleia Municipal, não se conformam com a decisão da tutela em fechar a consulta aberta nos moldes em que estava a ser assegurada pelos médicos do Centro de Saúde. A presidente da Câmara Municipal manifestou-se “chocada por esta decisão tomada ao arrepio daquilo que o Ministério da Saúde e a Administração Regional de Saúde (ARS) protocolaram com a Câmara Municipal, um acordo negociado a propósito do encerramento da urgência do Hospital de Cantanhede em 2007”.

Por seu lado, João Moura lembrou que foi ele próprio que, então na qualidade de presidente da Câmara, assinou esse protocolo, no âmbito de um processo desencadeado pelo então Ministro da Saúde do Governo do Partido Socialista, Correia de Campos. “Na prática, as urgências que já estavam desqualificadas desde 2001 deram lugar a outro sistema de atendimento, designadamente um serviço de consultas não programadas para casos agudos, sete dias por semana, em horário alargado, das 8h às 24h e com acesso direto aos meios complementares de diagnóstico e terapêutica”, referiu.

Só que, recentemente, a consulta aberta foi substituída pelo atendimento no Centro de Saúde apenas das 18h às 20h e das 10h às 18h, aos fins de semana, em qualquer dos casos sem os serviços de análises clínicas e de electrocardiografia, situação que João Moura considera “insustentável”.

Além da questão da Consulta Aberta, Helena Teodósio criticou “a incompreensível indiferença do Ministério da Saúde às nossas insistentes reivindicações relativamente “aos impasses que persistem nos dois hospitais do concelho, o Centro de Reabilitação da Região Centro-Rovisco Pais e Hospital Arcebispo João Crisóstomo, para os quais propusemos alterações e valências que contribuiriam para uma oferta de serviços de qualidade”.