Assine já
Oliveira do Bairro // Sociedade  

5.ª Gala de Mérito Municipal foi noite de gratidão a quem constrói a comunidade

A 5.ª Gala de Mérito Municipal de Oliveira do Bairro voltou a afirmar-se como um momento de reconhecimento, memória e identidade coletiva. Num serão marcado pelo simbolismo das comemorações do 25 de Abril, a Assembleia Municipal homenageou instituições e uma personalidade cujo percurso se confunde com os valores da democracia e do serviço público, Rosalina Filipe.

Gratidão foi a palavra que mais ecoou ao longo da noite de sábado, durante a 5.ª Gala de Mérito Municipal de Oliveira do Bairro, um momento que assinalou também o encerramento das comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril.

Promovida pela Assembleia Municipal (AM), a iniciativa afirma-se como um espaço de reconhecimento público e de valorização da memória coletiva. “Enquanto verdadeira casa da democracia local, a Assembleia Municipal deve também ser promotora e guardiã dos valores identitários das suas terras e das suas gentes”, sublinhou o presidente da AM, Nuno Barata.

Deixando palavras de agradecimento à Comissão Permanente e ao grupo de trabalho responsável pela organização desta gala, Nuno Barata destacou, em particular, a sua coordenadora, Carolina Ribeiro, atual líder da bancada do PS na AM. Reconheceu ainda o papel da Câmara Municipal, cujo apoio considerou ir “muito além do plano logístico”, assumindo-se como “parceiro determinante” para a concretização do evento.

Onze IPSS distinguidas

Pela primeira vez, a cerimónia distinguiu entidades coletivas, num total de 11 instituições do concelho que desenvolvem trabalho na área social. Carolina Ribeiro destacou o papel destas organizações, sublinhando que “vão muito além da prestação de serviços”, sobretudo num contexto exigente, marcado pelo envelhecimento da população, pelas mudanças nas dinâmicas familiares e pela persistência de desigualdades sociais.

Foram homenageadas a Associação de Beneficência e Cultura de Bustos (ABC), a AMPER – Associação dos Amigos de Perrães, a Casa do Povo da Mamarrosa, o Centro Ambiente Para Todos do Troviscal, o Centro Social de Oiã, o Centro Social e Paroquial de São Pedro da Palhaça, O Recanto da Natureza, a Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro, a Sociedade de Promoção Social da Obra do Frei Gil, a SOLSIL – Associação de Solidariedade Social do Silveiro e a SóBustos. A entrega dos diplomas esteve a cargo dos líderes dos grupos municipais da AM (Inês Pato, PSD; Ana Rita Jesus, CDS; Carla Pinhal, CHEGA, e Diogo Mota, representante do PS).

Rosalina Filipe, cidadã exemplar

O momento alto da noite ficou reservado para a homenagem à troviscalense Rosalina Filipe, figura amplamente reconhecida no concelho pelo seu percurso cívico, profissional, político e associativo. Nuno Barata, antigo aluno e colega professor, descreveu-a como “um exemplo”, frisando também que as diferenças ideológicas na Assembleia Municipal nunca impediram o respeito mútuo. “Havia nas suas intervenções [enquanto deputada pelo PS] uma elegância rara e uma exigência intelectual marcante”, referiu o social-democrata, acrescentando que as suas palavras eram sempre escutadas com atenção e respeito.

Destacando o seu percurso enquanto professora, política e cidadã empenhada, sublinhou ainda que Rosalina Filipe “se afirmou num tempo em que este caminho estava longe de ser fácil”, assumindo um papel relevante na afirmação da liberdade e da democracia a nível local, sem nunca se afastar da arte e da cultura, do associativismo e da comunidade.

A evocação do seu percurso foi enriquecida com testemunhos de Henrique Tomás, antigo colega e amigo, e de Duarte Novo, presidente da Câmara Municipal, a quem coube encerrar a sessão. O autarca expressou gratidão não só à homenageada, mas também às instituições distinguidas, considerando-as “um dos pilares mais importantes da comunidade”, pelo trabalho diário nas áreas sociais, educativas e de apoio às populações mais vulneráveis. “Mais do que instituições, são pessoas que se disponibilizam para servir”, sublinhou, traçando um paralelo com o percurso de Rosalina Filipe, que “soube intervir em diferentes áreas, sempre com sentido de responsabilidade e profunda ligação ao território e às pessoas”.

A noite contou ainda com a atuação da Banda Filarmónica da Mamarrosa, dirigida pelo maestro Abílio Liberal, que acrescentou emoção à cerimónia. Num dos momentos mais marcantes, a interpretação de “Ventulus Abientes” envolveu a sala numa atmosfera intensa, destacando-se o solo de bombardino de Pedro Sousa, recebido com especial aplauso do público. A gala terminou em ambiente de celebração, com um brinde ao municipalismo, à democracia e à liberdade.