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Manuel Armando

Padre

Falar alto e muito não é saber tudo

Quem ficará impávido e sereno diante de factos importantes que ultrapassam a pequenez da nossa inteligência, ou o saber com experiência?!

Diante dos nossos horizontes bastante limitados, há coisas, acontecimentos e, sobretudo, pessoas que terão em nós um impacto emocional enormemente extraordinário, pois nos levam a considerar como é tão pouco o que somos capazes de atingir, tendo a nossa mente clareza e sentir tão fraquinhos que até vivemos uma certa vergonha por sabermos pouco e muito menos possuirmos a capacidade de aproveitar o contacto e respeito de quem teria a paciência de nos ouvir.
Para “discutirmos” ou fazermos algo, quantos esforços intelectuais empreendemos sem, todavia, alcançarmos quase nada.

A nossa natureza humana parece-nos franzina quando trazemos à memória individualidades que, diante do público bastante crítico, são capazes de falar horas seguidas sobre quaisquer assuntos sejam eles de qual jaez forem.

Onde irão buscar tanta sabedoria e firmeza para os temas que abordam?!
Certos indivíduos parecem abarcar a matéria mais protegida sem titubear ou com um soberbo à-vontade, procurando mostrar uma aparente tranquilidade pessoal no domínio de quaisquer matérias problemáticas que afligem as diversas comunidades dos homens.

Aqui se inserem os apaniguados políticos que se apresentam e afirmam seguros nos mais vastos campos e aspetos da vida em si, como na cidade dos homens e mulheres, dos adultos e crianças, dos operários ou dos engravatados.
Para mim é bastante inverosímil tanta segurança na convicção de saber conhecer todas as latitudes da vida humana.

Bem sei que, em muitas destas circunstâncias, determinados oradores são apenas papagaios porta-vozes de quem escreve para que eles leiam em público e, de preferência, sem gaguejar.

Enquanto andam de lado para lado nas diversas campanhas políticas e sociais, como arranjariam tempo para estudar e escrever os seus discursos com a força de convencer os ouvintes que, muitas vezes, topam que as ideias expressadas nem ao orador convencem e muito menos a quem ouve e olha tudo com dúvida e relutância, baseando-se na frouxidão do seu viver, honesto, mas incapaz de sustentar os membros de uma família decente.

Admiro aqueles discursos prolongados dos virtuosos candidatos a cargos de chefia e admiro-os porque, contrastando, experimento quanto me é penoso falar em público, mesmo por missão própria, durante cinco a dez minutos e, às vezes, possivelmente, sem grande nexo ou perante a apatia dos ouvintes. Não me envergonho de reconhecer isso porque tenho a consciência plena dos meus limites e quem dá o que tem a nada mais fica obrigado, mas que dê graças ao Criador.

Falar alto não é prerrogativa da verdade e pode até acontecer que os pulmões daquele que profere assim a oratória definhem sem ar como, ainda, que as propaladas promessas corram, com o cuspe da sua tosse, pela água abaixo.