O espanhol da equipa algarvia Aviludo-Louletano-Loulé foi terceiro classificado na última tirada, mas graças às bonificações, subiu à liderança da classificação final (destronou Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), anterior camisola amarela, conquistando, de forma surpreendente, a edição de 2026 do Grande Prémio ABIMOTA. Mesmo com a sua equipa dizimada, Jorge López, após a segunda contagem de montanha do dia, nas Talhadas, um grupo de 10 corredores fugiu ao pelotão para formar a fuga do dia e onde o espanhol estava integrado, acabando por ser bem sucedido, apesar de não ter ganho a etapa.
Quem cortou a meta em frente à Escola Adolfo Portela foi Enzo Leijnse (Anicolor/Campicarn). A equipa, que tem sede em Águeda, ficou longe do que nos tem habituado.
Jorge López estava visivelmente emocionado no final da etapa. “Não sabíamos bem o que ia acontecer. Perdemos três elementos, mas no final, tudo saiu perfeito. Senti motivação em dose tripla para dar tudo e conseguir esta vitória: primeiro, queria poder dedicá-la aos meus companheiros que caíram, depois, queria fazer melhor do que o quarto lugar em Vouzela e por último, celebrar a minha primeira vitória como profissional”.
Já Américo Silva, diretor desportivo da Aviludo-Louletano-Loulé, falou de uma “vitória surpreendente”, sobretudo depois da 1.ª etapa. “Os ditados portugueses encaixam sempre bem e este é mais um exemplo. Porque depois dos azares vêm as vitórias, depois das tempestades vem a bonança. Ficámos abalados quando perdemos três ciclistas, mas mantivemos a cabeça levantada e sempre com o intuito de lutar pela vitória, que foi muito justa. A dada altura comecei a acreditar que era possível, mas havia outras equipas e interesses. Felizmente conseguimos, o Jorge estava muito forte e fizemos tudo na perfeição”.
Corrida em aberto até ao último metro
A segunda prova por etapas mais antiga de Portugal e destinada a Elites e Sub-23 não defraudou as expetativas, deixando todas as comitivas, organização e amantes da modalidade em suspenso até ao último segundo do 46.º Grande Prémio ABIMOTA.
Na presença de 116 corredores em representação de 18 equipas (eram para ser 19 mas a Team Tavira/Crédito Agrícola não compareceu por falta de ciclistas), foram três dias de competição muito disputados ao longo dos 439.8km. Fugas constantes e tudo em aberto até ao derradeiro metro e que teve três camisolas amarelas diferentes, com o pelotão a passar por 13 municípios.
Jorge López (Aviludo-Louletano-Loulé) foi o grande vencedor e conquistou a respetiva camisola amarela, após a vitória de Enzo Leijnse (Anicolor/Campicarn) na última etapa que terminou em Águeda.
Nas restantes camisolas, Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista) ganhou a geral por Pontos. Ivanov Viacheslav (Feirense- Beeceler) foi coroado como o rei da Montanha, ele que venceu, ainda, a classificação Meta Bolinhas. Quanto à geral Metas Volantes, ficou na posse de Tiago Antunes (Efapel Cycling); Pedro Pinto (Gi Group Holding-Simoldes-UDO) segurou a liderança da Juventude e João Medeiros (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car) a geral meta Autarquias. Raul Rota (Inovocorte Cycling) foi coroado o melhor corredor das Equipas de Clube.
O vencedor da geral de Sub-23 das Equipas de Clube foi Biel Font Grandio (Technosylva Rower Bembibre). A Efapel Cycling foi a vencedora da geral por Equipas.
De Anadia até Águeda
Com partida e chegada em Anadia, junto ao Museu do Vinho Bairrada, na primeira etapa, distância de 138km, as movimentações começaram bem cedo. Nos primeiros 20km houve várias tentativas de fuga até à chegada da Meta Volante, em Amoreira da Gândara. As escaramuças mantiveram-se e o pelotão continuou muito agitado. E foi depois de Vilarinho do Bairro e na entrada para a Curia, com praticamente 60km percorridos, que se deu a fuga do dia, que juntou um trio – Abner González e Ivanov Viacheslav (Feirense-Beeceler) e José Ramos (Tenerife Bikepoint) –, que chegou a ter mais de cinco minutos de vantagem para o pelotão. A Efapel Cycling era a equipa que assumia a perseguição.
Sem grandes alterações na situação da corrida, surgia o primeiro prémio de montanha do dia, no Luso-Buçaco. Na sequência da descida ocorreu uma queda que envolveu três corredores da Aviludo-Louletano-Loulé.
O trio de fugitivos continuava em cabeça de corrida, mas nos últimos 40km a vantagem foi diminuindo. Contudo, foi só no último quilómetro que a escapada seria alcançada, com José Ramos a ser o primeiro apanhado.
A vitória seria discutida num grupo reduzido de seis corredores, que entrou na discussão do sprint e onde João Martins (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car), de forma categórica, se destacou.

No dia seguinte, disputou-se a segunda tirada entre Vouzela – Vouzela, num total de 161.6km, que contou com um pelotão de 108 ciclistas. Foi uma etapa muito movimentada, de sobe e desce, com várias fugas, sem, contudo, haver alguma que vingasse. Os dois prémios de montanha de terceira categoria, ambos na primeira metade do percurso, fizeram mossa no pelotão, fracionando-o por completo.
Com um pelotão desmembrado pelas duas contagens de montanha, na frente formou-se um grupo com 28 corredores, onde o camisola amarela João Martins (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car), cedeu de imediato, ficando fora de combate por não integrar o grupo.
Com o desenrolar da corrida, os ataques foram continuando e foi já próximo dos últimos quilómetros que se juntaram quatro corredores em fuga, com Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), o melhor classificado na geral, ao ocupar a terceira posição, a ser um deles, que tinha como companhia Angel Sanchéz (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Harrison Wood (Feirense-Beeceler) e Pedro Pinto (Efapel Cycling).
Pedro Pinto furou e ficou para trás e, com a aproximação à meta, surgiu uma nova situação de corrida, com Tiago Antunes (Efapel Cycling) a lançar um ataque, alcançando o trio da frente.
Eram, agora, sete os corredores que chegavam à dianteira para discutir o sprint final e emocionante em Vouzela. A vitória escapou por muito pouco a Raul Rota (Inovocorte Cycling), porque foi Fábio Costa que se impôs e venceu a tirada, terminando em 4h12m59s e vestindo a camisola amarela.
Tudo em aberto
A derradeira viagem, que ligou Sever do Vouga a Águeda, na distância de 140.2km, prometia e era onde tudo se iria decidir para os 93 ciclistas ainda em prova.
A exemplo do que aconteceu em Vouzela, a etapa foi de novo muito movimentada, sobretudo na primeira parte, onde estavam situadas as duas contagens de montanha de segunda categoria.
Foi a seguir à segunda subida, em Talhadas, já depois dos 50km, que um grupo de 10 unidades fugiu ao pelotão para formar a fuga do dia. Jorge López (Aviludo-Louletano-Loulé) estava no grupo e era, também, o melhor classificado à geral.
O pelotão perseguia o grupo. Ao longo desta segunda parte da tirada, toda ela plana, a Feira dos Sofás-Boavista, equipa do camisola amarela Fábio Costa, tentou anular a fuga. Contou com a ajuda da Anicolor/Campicarn, pontualmente, e numa fase final, com a Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua. Mas a Efapel Cycling não colaborou. E a fuga chegou à meta, com o triunfo de Enzo Leijnse (Anicolor/Campicarn) e João Medeiros (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car) em segundo lugar. Assistiu-se também a um duelo entre Jorge López e Harrison Wood (Feirense-Beeceler), onde o espanhol foi mais forte.
Terminando Jorge López em terceiro lugar na etapa, o que o levou a bonificar, ficava confirmada a conquista do 46.º Grande Prémio ABIMOTA. Contou apenas com quatro colegas ao longo da prova, visto que a Aviludo-Louletano-Loulé perdeu o chefe de fila, German Tivani, Cláudio Leal e Filipe Francisco.
Vital Almeida, diretor da corrida e presidente da direção da ABIMOTA, no final, fez um balanço positivo desta 46.ª edição, que classificou “de categoria”, sublinhando que “em três dias houve três camisolas amarelas, demonstrando uma edição muito competitiva e bem disputada, onde houve dúvidas até ao fim para discutir a vitória. Foi até ao último metro da linha de chegada”.

Classificações
Geral individual: 1.º lugar, Jorge López (Aviludo-Louletano-Loulé) – 11h02m08s; 2.º, Wood Harrison (Feirense-Beeceler), a 5s; 3.º, Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), a 45s; 4.º, Tiago Antunes (Efapel Cycling) a 53s; 5.º, Raul Rota (Inovocorte Cycling), a 55s; 6.º, Keegan Swirbul (Efapel Cycling), a 1m19s; 7.º, João Medeiros (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car), a 1m50s; 8.º, Enzo Leijnse (Anicolor/Campicarn), a 1m59s; 9.º, Angel Sanchéz (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), a 2m53s; 10.º, Bilyi Maksym (Cortizo) a 2m58s.
Geral Equipas: 1.ª, EFP – Efapel Cycling – 33h10m.19s 7m53s; 2.ª, CDF – Feirense-Beeceler a 6m.09s; 3.ª, TAV – Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua a 18m44s; 4.ª, GSU – GI Group Holding – Simoldes – UDO a 23m.46s; 5.ª, (Anicolor/Campicarn) a 23m.47.
Geral Pontos: 1.º, Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), 45 pontos; 2.º, Jorge López ( Aviludo-Louletano-Loulé), 35; 3.º, Tiago Antunes (Efapel Cycling), 33.
Geral Montanhas: 1.º, Ivanov Viacheslav (Feirense-Beeceler), 23 pontos; 2.º, Gaspar Gonçalves (Gi Group Holding-Simoldes-UDO), 16; 3.º, Abner Gonzalez (Feirense-Beeceler), 12.
Geral Metas Volantes: 1.º, Tiago Antunes (Efapel Cycling); 2.º, Bruno Silva (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua; 3.º, Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car).
Geral Autarquias: 1.º, João Medeiros (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car); 2.º, Abner Gonzalez (Feirense-Beeceler); 3.º, Raul Rota (Inovocorte Cycling).
Geral Juventude: 1.º, Pedro Pinto (Gi Group Holding-Simoldes-UDO); 2.º, André Andrey ((Gi Group Holding-Simoldes-UDO); Raul Rota (Inovocorte Cycling).
Geral Metas Bolinhas: 1.º, Ivanov Viacheslav (Feirense-Beeceler); 2.º, Wood Harrison (Feirense-Beeceler); 3.º, Raul Rota (Inovocorte Cycling).
Geral Encarnada – Equipa Clube: 1.º, Raul Rota (Inovocorte Cycling).
1.º Sub-23: Tyler Maris ( Technosylva Rower Bembibre).
