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Gastronomia // Ílhavo  

Mais de 21 mil refeições servidas no Festival do Bacalhau em Ílhavo

O Festival do Bacalhau 2026 encerrou no passado domingo, 16 de agosto, depois de cinco dias de celebração da gastronomia relacionada com a pesca do bacalhau, matriz da cultura marítima e da identidade do Município de Ílhavo e das suas gentes, afirmando-se como o principal acontecimento gastronómico e cultural do município e um dos grandes eventos de verão da região de Aveiro e do país. Dados fornecidos pela organização indicam mais de 150 mil visitantes, com um número significativo de estrangeiros, e acima das 21 mil refeições servidas.

Realizado no Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré, o Festival voltou a colocar o “fiel amigo” no centro de uma programação que conjugou gastronomia, património, música, artesanato, animação e participação da comunidade, reforçando o sentimento de pertença e a ligação das gentes do Município de Ílhavo à história da Faina Maior (pesca do bacalhau) e à cultura marítima que marca a identidade deste território e, igualmente, do país.

A edição deste ano ficou marcada por uma aposta renovada na valorização e qualificação do Festival. “Mais do que a preocupação numérica ou estatística de outras edições, mais do que a quantidade, o foco centrou-se na qualidade da oferta e na dimensão das propostas gastronómicas que foram apresentadas”, refere o Município, em nota enviada à nossa redação.

A nova identidade gráfica, inspirada no nó da pesca do bacalhau e nas vestes e no trabalho das mulheres das antigas secas, procurou alargar o olhar sobre a história do território, valorizando não apenas aqueles que partiam para os mares gelados do Norte, mas também as mulheres e as famílias que permaneciam em terra e asseguravam a continuidade e a coesão da comunidade.

Tratando-se do festival do Bacalhau, a gastronomia foi o grande ponto de encontro do Festival. As dez tendas da restauração, dinamizadas por algumas das associações do município, apresentaram uma ampla diversidade de propostas gastronómicas, de outras formas de saborear e apreciar o bacalhau e os seus derivados, numa operação que contou ainda com a participação de associações ligadas ao Pão de Vale de Ílhavo e com dois bares de apoio ao evento.

Outra das principais novidades de 2026 foi a presença do chef Hélio Loureiro como curador gastronómico do Festival. O conhecido chef português acompanhou e aconselhou as associações responsáveis pelos espaços de restauração, contribuindo para a valorização das ementas, da apresentação dos pratos e das técnicas culinárias utilizadas.

A aposta na gastronomia foi complementada pelos showcookings muito apreciados e presenciados, permitindo aos visitantes conhecer diferentes formas de preparação e novas abordagens a um produto profundamente ligado à história económica, patrimonial, social e cultural de Ílhavo.

Um evento construído pela comunidade

A concretização do Festival do Bacalhau resulta, uma vez mais, do trabalho conjunto do Município de Ílhavo, da Confraria Gastronómica do Bacalhau, das associações, dos artesãos, dos artistas, dos voluntários, dos trabalhadores municipais e de todos os parceiros envolvidos na organização.

“Mas é, essencialmente, no trabalho, no esforço e dedicação voluntária, no ‘vestir a camisola’ e na qualidade das propostas gastronómicas, que se pretendem ainda mais apetecíveis, das 14 Associações que são a verdadeira imagem e essência do Festival do Bacalhau que afirma o Município de Ílhavo como a verdadeira Capital portuguesa do Bacalhau”, refere a organização.

Outra das novidades da edição de 2026 foi a criação de um novo stand, um espaço dedicado especificamente à identidade marítima do Município de Ílhavo, presente no Pavilhão Âncora, reforçando a dimensão patrimonial e cultural do Festival.

A Mostra de Artesanato voltou também a assumir um papel relevante na programação, reunindo artesãos de Ílhavo e de outras regiões do país. A edição deste ano procurou, através de critérios de seleção mais exigentes, reforçar a autenticidade, a sustentabilidade, a criatividade e a qualidade técnica da produção artesanal.

O Município convidado de honra foi Miranda do Douro, numa aproximação entre dois territórios geograficamente distintos, mas unidos pela valorização do bacalhau enquanto elemento gastronómico e cultural. A presença de Miranda do Douro trouxe ao Festival do Bacalhau outras expressões da gastronomia e da cultura portuguesa, incluindo a participação dos tradicionais Pauliteiros.

Um Festival para todas as gerações

Corrida Mais Louca da Ria

A programação voltou a estender-se para além da gastronomia.

O Jardim Oudinot recebeu atividades dirigidas às famílias e às crianças, enquanto o Navio-Museu Santo André, símbolo maior da memória ilhavense da pesca do bacalhau, integrou novamente o programa através de visitas, exposições e iniciativas culturais.

A programação incluiu a tradicional “Corrida Mais Louca da Ria”, atividade que alia criatividade, humor e relação com a Ria de Aveiro, e a “Volta ao Cais em Pasteleira”, que recupera memórias e tradições associadas às dinâmicas sociais que a pesca do bacalhau foram enraizando na comunidade.

Volta ao Cais em Pasteleira

Também a música voltou a assumir um papel central na programação, com cinco noites de concertos no palco principal (Palco Estibordo), protagonizadas por Quim Barreiros, Carolina Deslandes, Gabriel o Pensador, Delfins e Ricardo Ribeiro, complementadas pelas atuações de outros artistas no Palco Bombordo, como a Luana Torrão, Bruno Pato ou os Dopamine que encerraram algumas das noites quentes do Festival, ou os dj sunset e dj set, Dj Xirk e Dj Karlus.

Ílhavo e a fileira do bacalhau

A cerimónia de abertura contou com a presença do ministro da Agricultura e Mar e assumiu igualmente uma dimensão estratégica.

O presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Rui Dias, aproveitou a presença do governante para defender um papel mais ativo de Ílhavo na definição da estratégia nacional para o mar e para a economia azul, sublinhando a importância da fileira do bacalhau para o território e para o país.

O autarca destacou ainda a existência, no Município de Ílhavo, de uma cadeia de valor que integra diferentes dimensões da atividade ligada ao bacalhau: dos armadores e do Porto Bacalhoeiro à armazenagem, transformação, distribuição, restauração, turismo e património.

Segundo os dados apresentados pelo presidente da Câmara Municipal na abertura do Festival, estão instaladas no Município 14 empresas diretamente ligadas ao setor, responsáveis pela movimentação de cerca de seis mil toneladas de bacalhau, por aproximadamente 150 milhões de euros de volume de negócios e por mais de 750 postos de trabalho.

Deste modo, mais do que celebrar apenas uma tradição, o Festival afirmou-se como uma oportunidade para projetar para o futuro a relação de Ílhavo com o mar, transformando a memória da Pesca do Bacalhau em conhecimento, cultura, turismo, atividade económica e novas oportunidades.

O Festival do Bacalhau em números

A edição de 2026 confirma, também através dos números, a dimensão que o Festival do Bacalhau alcançou enquanto acontecimento gastronómico, cultural, turístico e comunitário.

• Investimento: 450 mil euros

• Mais de 150 mil visitantes, com um número significativo de estrangeiros

• Refeições servidas: acima das 21.000

• Uma comunidade que faz um Festival inteiramente ‘doméstico’: Equipa da Câmara Municipal de Ílhavo: 100 funcionários e colaboradores. Voluntários e equipas das associações: aproximadamente 600 pessoas.

• Showcookings: 14 eventos registaram a participação de mais de 1200 pessoas

• Visitantes do Pavilhão Âncora e espaço de Artesanato: 30.000

• Artesãos: 30, das quais 7 associações (20 do Município de Ílhavo, 6 de outros municípios, 4 convidados)

• Visitas ao Navio-Museu Santo André: 3.738

• Volta ao Cais em Pasteleira: cerca de 300 participantes na iniciativa

• Corrida Mais Louca da Ria: 17 embarcações, 92 participantes, 13 associações, 4 empresas

• Atividades lúdicas, desportivas e programação infantil com mais de 4 mil participantes