O uso indiscriminado dos telemóveis veio alterar profundamente o quotidiano, também nas escolas. Há alguns anos opus-me convictamente à sua proibição nas escolas, considerando que esta, enquanto instituição formadora, deveria antes formar os alunos para a correta e responsável utilização. Hoje apoio conscientemente a medida do governo em proibir o seu uso. Porquê? Porque qualquer estratégia só terá sucesso se for apoiada pela sociedade em geral, família incluída. Observemos os lugares-comuns: o telemóvel está permanentemente nas mãos da maioria! Filma-se/fotografa-se para publicação imediata nas redes sociais; filma-se uma agressão, não se defende o agredido; filma-se/fotografa-se um acontecimento, não se goza a vivência; manda-se uma mensagem, não se conversa; desperdiçam-se momentos de reflexão, em prol de visualizações intermináveis de sites inócuos…
Na escola, a concentração nas aulas é impedida pela ânsia da chegada do intervalo, dedicado à visualização frenética do ecrã, tornando-se o diálogo, e consequente desenvolvimento da comunicação oral, uma raridade, e nem a competência da leitura e da escrita são desenvolvidas, pois a generalidade dos sites não são portugueses nem apresentam qualquer preocupação de correção linguística ou raciocínio coerente.
Esta proibição poderá devolver à escola o convívio, a agitação, as risadas e a brincadeira dos intervalos – assim se espera!
