Na política portuguesa conheci apenas três estadistas, a saber: Sá Carneiro, Mário Soares e Pedro Passos Coelho. Mas não o Passos Coelho que reapareceu (depois de anos de acentuado silêncio) em inícios de 2024 na campanha eleitoral da AD e cujas intervenções ultra-conservadoras só prejudicaram a AD nessas eleições legislativas. Este é para mim um Passos Coelho que desconheço e que quer ser outra vez primeiro-ministro, agora com maioria absoluta só do PSD. Mas isto é muito pouco, para quem, como Passos Coelho, já foi primeiro-ministro com sucesso numa fase dificílima que o País atravessou!
Passos Coelho, em vez de vir desiludir muitos dos seus apoiantes, devia era ter-se preparado para ter sido o candidato do PSD às últimas eleições Presidenciais, que, pelo que vimos, tinha boas possibilidades de ganhar. Seguro e ele são da mesma geração e foram ao mesmo tempo, líderes das respetivas juventudes partidárias. Ainda hoje, Seguro não sabe como ganhou as Presidenciais, tendo tido o apoio envergonhadíssimo do PS.
Passos Coelho entre 2011 e 2015 conseguiu agarrar e segurar o País, tomando medidas totalmente impopulares, mas necessárias, e que não impediram que ganhasse, contra António Costa, as eleições legislativas de 2015! António Costa conseguiu o impossível, que foi perder essa eleições, mas para sobreviver politicamente, cozinhou com Carlos César na noite da derrota a “geringonça”. Os Portugueses souberam avaliar o que Passos Coelho fez nesses quatro dificílimos anos e apesar de Passos Coelho se ter estado a lixar para as eleições, reconheceram todo o seu mérito, dando-lhe a vitória com maioria relativa. Por isso, penso que a “geringonça” foi legal, constitucional, mas pouco democrática.
Porém, o Passos Coelho que reaparece em inícios de 2024 é um homem que, como já disse, não conheço, face às ideias que defende. Quer ser líder do PSD e depois primeiro-ministro com maioria absoluta do PSD. Mas à custa de quem? Para Passos Coelho à custa do CHEGA. Pensa que consigo e com as suas ideias o CHEGA quase vai desaparecer. Porém, quando a direita democrática pega nas bandeiras da extrema-direita sai sempre a perder. O eleitorado, à cópia, prefere o original. Por isso, Passos Coelho poderá ganhar o Partido (PSD), mas nunca o País. O eleitorado de centro-direita e o eleitorado flutuante, que ora vota PSD, ora vota PS, não votará no PSD de Passos Coelho e na minha opinião dará a vitória a um PS moderado e não radical. E essa derrota, marcará o fim da vida política de Passos Coelho.
