A indignação e revolta dos pais é grande na Escola Básica de Sangalhos (Cruzeiro), no concelho de Anadia. Aquele estabelecimento de ensino, frequentado por cerca de 80 crianças, com idades compreendidas entre os 6 e os 11 anos, está sem auxiliares de acção educativa desde o passado dia 15 de Novembro, o que está a causar um grave problema de limpeza, higiene e segurança.
No centro do problema está uma baixa médica da única auxiliar de acção educativa da escola. Por motivo de doença, a auxiliar está de baixa médica desde o passado dia 15, tendo já informado que a baixa foi renovada até ao próximo dia 26. Até lá, 80 crianças e três docentes têm tido apenas o apoio ao nível de limpeza de uma pessoa que, entre as 17h e as 19h, de segunda a sexta-feira, tem de limpar salas, espaços comuns, corredores e sanitários.
Há quem defenda que se trata de uma questão grave de saúde pública, já que as salas e sanitários só não estão imundos porque as docentes vão evitando o pior.
Chocado e indignado com a situação, Cristovão Santos, encarregado de educação, diz não compreender como é que o Agrupamento de Escolas de Anadia, para situações excepcionais como esta, não possui uma bolsa de substitutos que colmate este problema, que muito facilmente pode acontecer num estabelecimento de ensino.
“Estamos a falar de 80 crianças, muito pequenas e com rudimentares noções de limpeza. O que mais me choca são os sanitários, o estado em que se encontram. Têm uma utilização intensiva entre as 9 e as 17h30 e não é uma pessoa das 17 às 19h que resolve o problema. É precisamente durante o dia, em período de aulas, que o mais grave se verifica”, diz-nos.
Quanto às salas de aulas, têm sido as professoras que, muitas vezes, pegam nas vassouras e limpam, revelam-nos ainda os encarregados de educação, que não aceitam o facto de uma escola com tantos alunos, que teve num passado recente duas auxiliares, esteja, neste momento, sem nenhuma.
Mas é a falta de segurança que também incomoda Cristovão Santos. Este pai lamenta que, sistematicamente, nos últimos dias, tenham sido avistadas crianças a brincar fora do recinto escolar, junto à EN 235. Por isso, diz que “não basta ocupar lugares e cargos, é preciso acção e trabalhar efectivo, pelo bem-estar das crianças”.
A JB Luís Santos, director do Agrupamento de Escolas de Anadia, avançou que, desde a passada sexta-feira, uma pessoa foi destacada para aquela escola por forma a minorar o problema da limpeza.
“Só soubemos oficialmente da situação na quinta-feira e tratámos, no dia seguinte, de enviar uma pessoa para a escola”, todavia, sublinha que estas situações imprevisíveis de doenças e baixas médicas são complexas e difíceis de resolver, quando se sabe que “o Agrupamento está a trabalhar no limite, com uma enorme falta de pessoal”. “Resta-nos fazer sentir superiormente que estas e outras realidades precisam de rápida solução”, acrescenta.

Catarina Cerca