A vindima na Bairrada já começou e a perspectiva é de uma colheita farta e de qualidade.
A vindima que outrora era feita nos meses de Setembro e Outubro, tem vindo, por força da introdução de castas mais precoces na região, a realizar-se cada vez mais cedo. No entanto, também as condições e alterações climatéricas poderão ser igualmente responsáveis por este apressamento na maturação dos cachos.
Assim, não é de estranhar na região ver gente e máquinas em grande azáfama nas vinhas já em finais de Julho e durante todo o mês de Agosto.

Campolargo foi o primeiro a vindimar na região. Um dos maiores produtores da região, Carlos Campolargo, prefere não fazer grandes previsões relativamente a esta vindima. Com 170 hectares de vinha, avança que começou a 29 de Julho, com Pinot Noir, para espumante, o que faz dele o produtor que primeiro vindimou na Bairrada. No entanto, já vindimou também Chardonnay, Bical, Sauvignon Blanc e Verdelho.
Embora admita existir um “apressamento na maturação” das uvas, que obrigou a vindimar determinadas castas mais cedo (cerca de 10 a 12 dias) em relação a anos anteriores, também refere que existem outras castas que estão atrasadas ou com a maturação a fazer-se normalmente, sem alterações.
“Vindimamos não pelo calendário mas pelo estado de maturação das uvas”, diz. Na sua adega, por estes dias, já existe vinho tinto fermentado. Quanto à colheita de 2011, diz que “só no final da vindima será possível referir como foi o ano”, reconhecendo mesmo assim que será um ano de produção média. “É difícil dizer, pois temos castas com produção igual e outras com menor produção”. A qualidade, essa, perspectiva-se boa, até porque “o estado sanitário das uvas é muito bom”, acrescentou.

Vindima antecipada. Luís Pato é um dos mais conceituados produtores da região. A JB confirma ter começado a vindima a 3 de Agosto, para espumante. “Comecei com Bical, Cercial, Maria Gomes e Baga, castas que apresentam um excelente equilíbrio em matéria de açúcares e acidez para espumantes”, tendo o produtor também já vindimado Cercial para vinho branco.
Na sua adega, a vindima, em relação a 2010, começou 13 dias antes e a perspectiva é de que 2011 será um ano de qualidade excelente.
Embora em matéria de tintos este seja um ano de produção normal, em matéria de brancos a produção será maior. E reconhecendo ser ainda cedo para fazer previsões, Luís Pato diz que se o tempo se mantiver como até aqui, será um bom ano: “Com a vindima antecipada umas duas a três semanas, vou vindimar a Baga em Setembro e não em Outubro como habitualmente. Logo, corro menos riscos de apanhar chuva”. Uma situação que diz ser boa para manter o bom equilíbrio ácido. “Mais calor, menos calor, intercaladamente, mantém uma boa acidez e não faz parar a maturação na videira”, acrescenta.
Já Paulo Sousa, de Sangalhos, possui 11 hectares e também já começou a vindima dos brancos. Embora vá fazer um interregno de alguns dias para depois recomeçar em força, diz que também não se pode queixar do ano de 2011. “Temos uvas de muita qualidade, sem podridão e sãs. Mas tudo depende dos próximos dias e semanas”, avança.
“Em relação aos brancos, as perspectivas são boas; para os tintos ainda falta e não convém arriscar a fazer previsões. Para já, só posso dizer que teremos uma boa produção de Merlot.”

Vindima terminada em Setembro. Ao Jornal da Bairrada, José Corte-Real, da Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB), avança que a vindima em Agosto prendeu-se com o facto de algumas castas mais precoces exigirem que a vindima se iniciasse quando o mês de Agosto vai a meio.
Ainda que a vindima só decorra em pleno na Bairrada no final deste mês para a maioria das castas brancas e durante o mês de Setembro para as tintas, tudo aponta para que este seja um bom ano, quer quantitativa quer qualitativamente. “Desde já, devem salientar-se o óptimo estado sanitário das uvas e o seu bom amadurecimento, o qual está adiantado cerca de 15 dias em relação à média dos últimos anos, factores que prometem uma colheita de excepcional qualidade”, acrescentou.
E se as Adegas Cooperativas ainda não começaram a receber uvas, nas empresas e produtores da região a azáfama é já grande, com a vindima das castas mais precoces.
“As primeiras uvas vindimadas foram as que se destinam à produção de vinhos espumantes, pois requerem maior acidez, que lhes dará a frescura necessária, e que não necessitam de um teor alcoólico elevado. Em relação a este tipo de vinho, um dos ex-libris da Bairrada, a vindima iniciou-se com as castas mais temporãs, como a Pinot Noir e a Chardonnay, e pode neste momento considerar-se concluída mesmo em relação às castas mais tardias”, avança.
Segundo aquele responsável, no que diz respeito à quantidade, prevê-se um ano semelhante ao anterior, com uma produção média/alta. A continuarem as actuais condições, a Comissão Vitivinícola da Bairrada estima que a vindima dos brancos esteja concluída nos fins de Agosto.
Em relação aos vinhos tintos tranquilos, cuja vindima pontualmente também já começou, “tudo leva a crer que nos meados do mês de Setembro a vindima possa estar na sua maior parte realizada”, conclui.

Catarina Cerca