A Adega de Cantanhede apresentou, na penúltima segunda-feira, durante a realização da Expofacic, quatro novos vinhos. A prova destes néctares bairradinos, que teve lugar no recinto do mercado municipal, reuniu largas dezenas de convidados.
Sob a orientação do enólogo Osvaldo Amado foi apresentado um espumante, o Baga Blanc de Noir Marquês de Marialva, produzido apenas com casta baga. “Um espumante distinto”, acrescentou o enólogo, sublinhando que este deve ser “um dos caminhos” que a Bairrada deve percorrer. Um espumante que passou por um estágio de 18 meses em garrafa. De cor alambreada, no aroma e no sabor é frutado, fresco, cremoso e com mousse crocante que lhe transmite elegância e persistência.
Seguiu-se um branco, monovarietal. O “Marquês de Marialva Arinto Reserva 2012”, com 13,5% vol. álcool.
Sendo a casta Arinto uma das que acompanha o enólogo na sua carreira de 27 anos, revelou aos presentes ser uma das castas pelas quais é “um apaixonado”. Este vinho medalhado nacional e internacionalmente, confirma que “o Arinto é uma casta com grande potencial enológico”, disse Osvaldo Amado, na medida em que permite fazer vinhos bastante gastronómicos e que acompanham várias refeições e iguarias. Um vinho de aspeto cristalino, cor citrina intensa e de sabor frutado, fresco, elegante e harmonioso.
O terceiro vinho apresentado e provado pelos presentes foi o topo de gama da Adega, recentemente lançado. O tinto “Foral de Cantanhede – Grande Reserva Baga 2009”, produzido exclusivamente com uma seleção das melhores uvas da casta Baga. “De um lote de 100 barricas novas de carvalho francês, escolhemos as melhores 30 e fez-se uma produção limitada de 4224 garrafas”, frisou Osvaldo Amado, dando conta de que se trata de um vinho muito especial, que estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês com tosta especial. “Um vinho com um elevado poder de envelhecimento”, diria, sublinhando que se trata de “um vinho que orgulha a Bairrada e que poderá ajudar a projetar a região”.
Também o autarca João Moura, presente no evento, referiu tratar-se de um vinho de excelente qualidade. “Foi uma honra para o município associa-se a este vinho de carácter excecional”, que é “um embaixador da região”.
O edil de Cantanhede daria ainda conhecer que o ponto de partida para o lançamento deste vinho foi a edição do Foral Manuelino de Cantanhede, concedido por D. Manuel I, em 20 de maio de 1514, no decurso da grande reforma empreendida pelo Rei Venturoso. Este acontecimento esteve na origem do repto que o líder do executivo camarário fez à direção da Adega, no sentido de assinalar o processo com o lançamento de um vinho.
De cor rubi profunda e concentrada, aroma intenso com destaque a ameixas e framboesas, na boca tem volume e estrutura com taninos firmes. É um vinho que termina longo e harmonioso.
O último vinho da tarde a ser apresentado, uma novidade na empresa e, sem dúvida, uma agradável surpresa para os presentes foi a apresentação do “Marquês de Marialva vinho licoroso Reserva dos Sócios” feito a partir das castas Baga 40%, Touriga Nacional 30%, Tinta Roriz 15% e Syrah 15%. “Um blend de vinhos que vão de 15 a 3 anos e um representante digno das uvas tintas da nossa região”, referiu Osvaldo Amado, sublinhando que este aposta “pode entrar em inúmeras iguarias”, deixando antever que até final do ano deverá ser lançado ainda um licoroso topo de gama.
Na ocasião, o enólogo António Dias Cardoso, diria tratar-se de “um produto que desperta interesse, de aromas finos e delicados” e que concorre perfeitamente com um vinho do Porto de 10 anos. “Uma aposta bem conseguida e que surpreendeu pela positiva”, acrescentaria ainda.

Catarina Cerca