Quinhentos anos de Foral Manuelino serviram de mote à sessão inaugural das comemorações na freguesia de Vilarinho do Bairro. As comemorações, que se irão prolongar ao longo do ano, tiveram início na última sexta-feira, dia 6 de março, na sede da Junta de Freguesia. Foram vários os fregueses, amigos, autarcas e vereadores que se juntaram no auditório da Junta de Freguesia precisamente no dia em que Vilarinho do Bairro recebeu, há 500 anos, carta de foral.

Ano de eventos. Entre momentos musicais, exemplarmente interpretados por Susana Loureiro, a primeira intervenção coube ao presidente da Junta de Freguesia. Carlos Dinis Torres deu a conhecer a todos um ano de 2015 repleto de comemorações.
Assim, vem aí uma Ceia Quinhentista, numa organização conjunta entre a Junta de Freguesia e o Centro Cultural e Recreativo da Poutena; uma Feira Quinhentista, a organizar pela Junta de Freguesia; um Rally-paper que terá como organizadora a Associação Cultural e Recreativa da Quinta do Perdigão; um Cicloturismo a realizar pela Junta de Freguesia e mais lá para o final do ano, a cerimónia de encerramento das comemorações.
Para já, as comemorações estão a ser assinaladas na freguesia com a colocação, em locais estratégicos, de outdoors que assinalam os 500 anos de Foral Manuelino.
No âmbito desta celebração, a Junta de Freguesia descerrou um painel alusivo ao Foral (produzido no âmbito das aulas de pintura cerâmica da Universidade Sénior da Curia) e apresentou um espumante comemorativo, com rótulo alusivo ao Foral. São 500 garrafas (de produtores da freguesia) de espumante branco bruto, todas elas numeradas e que podem ser adquiridas na Junta de Freguesia.
Lição sobre forais. Com o auditório repleto, caberia ao professor António Seiça, falar dos forais e deste em especial.
Licenciado em História, António Seiça explicou o que era um foral e a sua importância. Por outro lado, realçou que “os forais foram determinantes na consolidação das fronteiras perante ameaças externas”, fazendo ainda a diferença entre forais antigos ou medievais e forais novos ou manuelinos, assim como lendo/traduzindo pequenos excertos do foral da freguesia.
Na ocasião, o padre Nicolau Barroqueiro, pároco da freguesia, comparou os forais e o poder local que, nos dias de hoje, se deve pautar pelo bem comum. Numa mensagem de fé e de esperança, desejou que os autarcas “levem a bom porto” o seu trabalho, pois são o poder que está mais próximo das populações e que melhor as pode servir: “quem está mais longe tem mais dificuldades em acertar”, diria.
Vencer comodismos, “areias que entram na engrenagem”, foram alguns dos recados e alertas que também deixou.

Desafios e parcerias. Presente no evento, a edil Teresa Cardoso destacou como estes momentos devem servir para fazer uma reflexão, mas também servem para dar a conhecer todos aqueles que ajudaram a construir a freguesia. Ainda que hoje não haja forais, a presidente de Câmara alertou para as inúmeras leis, acordos, contratos de execução que obrigam a uma intervenção completamente diferente. E, reconhecendo que o papel dos autarcas locais é importante porque são os que estão mais próximos do cidadão e aqueles que conhecem bem mais de perto a necessidade das populações, destacou a importância destes enquanto “parceiros” da Câmara Municipal.
Na ocasião, parabenizou a JF pelo programa de comemorações que, acredita, irá “criar esse espírito de união em torno desta comemoração na freguesia”.
A terminar, Altino Cruz, presidente da Assembleia de Freguesia local, recordaria ainda que em 1853, Vilarinho do Bairro era colocada em definitivo no concelho de Anadia, perdendo a sua autonomia. “Uma freguesia com excelentes terrenos para o exercício da agricultura, comércio e indústria”, disse, destacando que sendo os tempos de hoje diferentes e mais exigentes, é imperativo servir os outros com isenção, lealdade e rigor e transparência, acrescentando ser necessário um olhar mais atento para o mundo rural, esquecido pelo poder central.
Catarina Cerca