A 13.ª edição da Feira do Mel e do Pão, realizada nos dias 13, 14 e 15, na estância do Luso, foi um verdadeiro sucesso.
Numa iniciativa da Associação dos Apicultores do Litoral Centro (AALC), o certame que decorreu na Alameda do Casino, contou com a presença de 14 apicultores e duas padeiras da zona serrana do concelho da Mealhada. Pelo local, durante três dias, passaram centenas de visitantes que se deliciaram com o mel, seus derivados e o típico pão caseiro. No dia de inauguração do certame, Filomena Pinheiro, vereadora da autarquia mealhadense não deixou de destacar que esta actividade pode, nos próximos anos, “ser também um emblema da região dada as suas potencialidades, até como atracção turística”.
O evento que pretende ajudar a escoar os produtos oriundos da colmeia, fazendo crescer os produtos relacionados com o mel (pólen, própolis, geleia real, vinagre de mel, aguardente de mel, licor de mel, hidromel, rebuçados, cremes, sabonetes e velas) é segundo Filomena Pinheiro, “um certame importante não só para o concelho, mas para toda a região, na medida em que ajuda a divulgar uma actividade económica, artesanal, realçando as potencialidades da região e do concelho mas também a capacidade que os munícipes têm em diversificar as suas actividades”.

No primeiro dia de certame, aquela responsável não deixou de sublinhar o facto de “num contexto de crise, muitos dos produtores, que não se dedicam a tempo inteiro à apicultura, têm nesta actividade uma ajuda aos seus rendimentos”. Por outro lado, Filomena Pinheiro destacou o facto de se aproveitarem os recursos naturais da região: localização privilegiada, pouca poluição, vasta floresta e vegetação multifloral, que contribuem para as características tão específicas deste mel.

Produtores satisfeitos com o certame. Maria Natividade Simões, de Trouxemil, participou em quase todas as edições. Produtora há mais de 20 anos, diz que a crise ainda não chegou à apicultura e que o escoamento do mel e seus derivados “é muito bom”. Aliás, segundo revelou os derivados do mel são cada vez mais procurados. Com cerca de 40 colmeias e uma produção média de 500 quilos de mel e derivados, adianta que na base do mel que produz está uma flora variada, multifloral, onde sobressaem o rosmaninho, o trevo e o eucalipto.
De Lemede, concelho de Cantanhede, Alberto Jesus, filho do produtor Artur Jesus, vê o certame como um meio de promoção da apicultura e de divulgação, sobretudo dos derivados do mel. Este produtor que tem na apicultura a sua actividade profissional, possui cerca de 500 enxames, localizados entre Cantanhede e Góis, produzindo uma média anual de 5 toneladas.
Pela décima vez participa no certame que embora no seu caso não seja uma ajuda no escoamento do produto – trabalha regularmente com minimercados e supermercados – sempre ajuda a desmistificar algumas ideias erradas que se têm sobre o mel. Alberto Jesus avança, com toda a certeza, que o consumo diário e moderado de mel só tem benefícios para a saúde. Ao contrário do que se julga não engorda e não faz mal. “Como em tudo é preciso saber consumir, com moderação. Uma colher de sopa de mel por dia não faz mal”, adianta acrescentando que “o mel tem elevado poder cicatrizante e é bom para curar ulceras”, assim como são cada vez mais as pessoas que procuram os derivados do mel.
Presentes em todas as edições duas padeiras trazem ao certame o sabor do pão tipicamente serrano. Desta feita, para além do pão fizeram as delícias dos visitantes os folares da Páscoa caseiros e as filhóses.
Licínia Ferreira, da Landiosa, participa no certame pela primeira vez e na manhã do primeiro dia de feira não teve mãos a medir para satisfazer os pedidos de pão e folares caseisos feitos por si.
A seu lado Helena Isabel Pereira, de Louredo, já experiente nestas coisas de feiras, usos e costumes, avançou que o pão caseiro, feito à moda tradicional, continua a ser muito procurado. Também sem mãos a medir para satisfazer as várias pessoas que de passagem ou propositadamente se deslocavam à sua banca para comprar pão e folares lá nos foi dizendo que o pão da serra tem dois segredos. Para além da farinha, água e sal leva mais dois ingredientes que só as padeiras das zonas serranas conhecem.
“Ajudamos a promover o que se fazia, de bom, no passado. É totalmente diferente comer um pão industrial e este, caseiro”, diz, confessando que a presença das padeiras é “mera carolice”.

Catarina Cerca