A situação é de emergência, a sul da praia da Vagueira. O mar avançou impiedosamente, unindo-se à ria, depois de “rasgar” o cordão dunar de protecção, invadindo campos de cultivo. A EM591, que liga o Labrego ao Areão, acabaria por sofrer um rombo de cerca de cinco metros, formando um canal entre o mar e a ria, tal como tinha acontecido em Fevereiro de 2001.

Autarquia, Protecção Civil e INAG estiveram no local, para se inteirar da situação e fazer a avaliação técnica dos estragos, tendo chegado à conclusão que os trabalhos iniciados pela Câmara devem continuar.
Para o presidente do Instituto da Água, Orlando Borges, que não exclui a hipótese de um “desastre ambiental” naquela zona, se o mar conseguir ligar-se à ria, existe de facto uma “taxa de recuo superior”, à que tinha sido identificada no relatório, entregue por Veloso Gomes, presidente do Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos.

Daí que os trabalhos, evolvendo o INAG e outros serviços tutelados pelo Ministério do Ambiente, para além da autarquia, impliquem, para já, a deposição de oito mil metros cúbicos de areia. “Antes que possam surgir novas investidas do mar”, previstas, de resto, para os próximos dias, especificou Orlando Borges, que quer deste modo evitar “a abertura de uma nova barra”.

Uma operação que deverá custar cerca de 30 mil euros, o triplo da verba gasta pela Câmara de Vagos, chamada a intervir, com os meios que tinha ao dispor, para tentar proteger o cordão dunar, quando na madrugada de quinta-feira aconteceu o primeiro rombo.

Dragados. O presidente do INAG vai no entanto mais longe. E quer, no âmbito da revisão, já em curso, do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC), perspectivar de forma “estruturante” quais as grandes opções para a defesa da costa. Por outro lado, pretende “responsabilizar” a Administração do Porto de Aveiro (APA), esperando que “proceda à reposição de dragados na zona da sota mar do porto”.

Mas a solução pode passar, ainda, por criar uma espécie de defesa aderente “até ao ponto máximo de erosão provocada pelo mar”. A proposta foi defendida pelo presidente da Câmara de Vagos. Rui Cruz quer “estender a raiz do esporão” em cerca de 200 metros, e acredita que o ministério vai desbloquear meio milhão de euros para executar a intervenção.

Preocupado com a situação, o autarca vaguense considera, por outro lado, que a salinidade dos terrenos afectados vai prejudicar a actividade económica ligada à ria, onde existe uma “das mais importantes frentes agrícolas da região”. Para Rui Cruz, apesar de existir uma estrutura de defesa (caminho do canal), a entrada em excesso de água salgada na ria”altera por completo o ecossistema”.

Eduardo Jaques
Colaborador