A Casa da Cultura Dr. Alípio Sol passou a denominar-se Quartel das Artes Dr. Alípio Sol. A alteração de nome foi decidida por maioria, com as abstenções do CDS/PP, na penúltima quinta-feira, em reunião de Câmara.
Laura Pires, vereadora da Cultura, explicou que pretende que a Casa da Cultura tenha um outro alcance, aproveitando o facto de anteriormente ter existido naquela local o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Bairro, que considerou ser uma casa de heróis. Uma alteração de nome, que segundo Mário João Oliveira, presidente da Câmara, foi consensual e “aceite pela família do Dr. Alípio Sol”.

Heróis. Laura Pires começou por explicar que “é uma casa de heróis. Cheia, prenhe, plena dessa espécie rara de coragem de quem não cuida (da sua) quando investe contra o fogo para dele resgatar outras, tantas, vidas. Cheia de dádivas de tempo, dessa preciosidade que uns guardam só para si e para os seus e que os heróis dedicam aos outros. Cheia de dor e sofrimento, de perdas, de quem sabe que para vencer temos de insistir, e insistir, e persistir, e sobreviver, e curar, e lembrar, e esquecer – para fazer, para ser, sempre, melhor hoje do que ontem.
Cheia de corridas, de ritmo, de soares de campainhas a marcar rigores, trabalhos, canseiras. Cheia de respeitos, de cuidares, de hierarquias que asseguram a ordem quando o caos chega”.

Força e magnetismo. Laura Pires, que tem o pelouro da Educação e da Cultura, refere ainda que “ é uma casa que recebeu bombeiros, comandantes, maqueiros, levou doentes, trouxe filhos, levou esperanças, acolheu todos os que lhe bateram à porta, de pedintes a músicos, de seminários a cursos de música no verão, de saraus a causas beneficentes. Por isso tem a força e a têmpera e o magnetismo de (daquele outro) quartel”.
Defendeu que “este quartel tem de fazer jus à nossa hospitalidade, ao nosso receber bem porque sim, porque somos assim. Porque assim, a acolher bem, também nós nos sentimos lá bem – como em casa”.
Relembra que o novo Quartel vai “exigir muito fôlego, muita humildade, muito diálogo, muito trabalho, muita construção, muita imaginação, muita criação, muita perseverança, muita visão. Muito. Tudo. Sem tréguas a nós”.
Jorge Pato, do CDS/PP, disse não ficar convencido com o nome, talvez pelo seu conservadorismo, afirmando que pela forma como o assunto foi tratado se iria abster.
Ana Lília Águas, vereadora do CDS/PP, disse esperar que “a cultura seja aproveitada por todas as pessoas do concelho e de fora e que a alma que foi incutida pela vereadora Laura Pires “não fique só no papel”.
Henrique Tomás, do PS, concordou com a alteração do nome, salientando a originalidade e criatividade do texto. “Deu-me um grande orgulho ler este texto da Dra. Laura”, afirmou.
Pedro Fontes da Costa
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