Na passada segunda-feira, dia 6, viveram-se momentos de aflição nas zonas costeiras da região que foi fortemente fustigada pela agitação marítima. Ondas gigantes, com cerca de 8 a 10 metros, fizeram com que o mar subisse vários metros, galgando o sistema dunar, causando momentos de pânico, sobretudo em espaços comerciais (bares de praia) mais expostos.

Praias da Vagueira e Areão. Miguel Sá, comandante dos Bombeiros Voluntários de Vagos, revela que o momento mais preocupante foi vivido entre as 19h30 e as 20h de segunda-feira, hora do pico da maré alta.
“Foram momentos complicados, com grande agitação marítima, o que obrigou o Serviço Municipal de Proteção Civil de Vagos a encerrar toda a marginal na Praia da Vagueira” por questões de segurança.
Embora o areal tenha desaparecido na Praia da Vagueira, bem como parte do cordão dunar, o paredão em pedra segurou o mar revolto que, mesmo assim, galgou a marginal. “Na altura mais crítica, o mar galgou as pedras, levou passadiços em madeira, escadas e sinais de trânsito”, revelou, adiantando que se viveram momentos de aflição pelo menos em três bares de praia, que sofreram alguns prejuízos. Também na Praia do Areão, a forte ondulação com vários metros provocou estragos e o avanço do mar voltou a fazer desaparecer parte do cordão dunar. “Estamos a colocar areia para proteger a estacaria e tentar segurar um bar de praia que ficou numa situação mais frágil”, adiantou ainda.
Praias da Costa Nova e da Barra. Carlos Mouro, comandante dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo, falou dos momentos mais difíceis vividos na última segunda-feira nas Praias da Costa Nova e da Barra.
“O mar incidiu gravemente na zona entre a Costa Nova e a Praia da Barra, comendo dezenas de metros de areal e duna”, revelou. Sucessivos dias de mau tempo, aliados a vagas de dimensões pouco habituais fizeram com que o mar chegasse aos passadiços em madeira que se encontravam distantes do mar. Hoje, estes constituem um enorme problema de segurança, devido à sua instabilidade. “O passadiço está encerrado à circulação pedonal”, e Carlos Mouro alerta para o perigo que aquele local constitui: “as pessoas teimam em ir tirar fotografias, mas o passadiço pode desabar e arrastar as pessoas. Se alguém cai naquela ondulação não se salva”.
O caso mais grave registado nesta praia foi o desaparecimento do restaurante Casa Dumar, que começou a ser fustigado pela ondulação a 3 de janeiro e na segunda-feira, dia 6, foi completamente destruído pelas enormes ondas.
“É assustador porque o areal, a praia desapareceu na Barra”, admite, avançando que a forte ondulação atingiu toda a zona do paredão na Praia da Barra, galgando até à Avenida João Corte Real.
Na Costa Nova, não se notaram grandes prejuízos, embora junto ao Contiqui Bar se tenham vivido momentos de maior angústia.

Catarina Cerca
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