César Andrade está de saída. Cumpre o terceiro e último mandato à frente dos destinos da Freguesia de Avelãs de Caminho. Em entrevista, faz um balanço positivo do ano transato, lamentando, contudo, que da parte da Câmara Municipal de Anadia nem sempre tenha existido o apoio necessário para fazer frente às carências sentidas pela população.

César Andrade está a cumprir o último ano daquele que é também o seu último mandato à frente dos destinos da freguesia de Avelãs de Caminho.
Nesta entrevista, reconhece que o ano transato foi “muito trabalhoso” até porque não pôde contar com grande recursos económicos. “Para além da verba do FEF e da Câmara Municipal, não temos mais fontes de rendimento, a não ser as sepulturas que vendemos no cemitério”, diz, justificando assim que “qualquer obra que se faça tem de ser muito bem ponderada.” Por isso, o balanço que faz é positivo até porque, desde que é presidente de junta, “tem sido sempre minha preocupação cumprir com aquilo que prometo.”
Com uma taxa de execução a rondar os 90%, reconhece que esse valor só é possível porque o executivo tem o cuidado de fazer um plano de atividades realista: “face aos parcos recursos que temos, não fazemos planos megalómanos, mas sim sempre dentro das nossas reais possibilidades”.
O ano de 2016 fica marcado pela reconstrução do Lavadouro da Fonte do Coito, que se encontrava muito degradado; pela construção dos sanitários públicos, perto da Igreja e pela criação da Rota das Avelãs, um projeto emblemático e único no concelho, a envolver duas freguesias na criação de uma rota pedestre que ficará concluída este ano. “A rota está delineada e o trajeto já foi reconhecido. Agora vamos avançar para a colocação de sinalização para que as pessoas possam passear por esta rota, que é muito interessante”.

Prioridades. Para o ano de 2017, a Junta de Freguesia tem um orçamento de 70 mil euros, um pouco superior aos dos anos anteriores, mas, mesmo assim, muito pequeno para uma freguesia onde existem várias carências.
“Elencámos três grandes obras prioritárias: a requalificação da antiga Escola Primária; a construção de um estaleiro para a Junta de Freguesia e a informatização dos registos do cemitério.
A requalificação da antiga Escola Primária está a avançar e é para ali que vão passar todos os serviços da Casa Cultural – biblioteca, Escola de Música, Grupo Sons de Avelãs, grupo de Boccia. Ali, também a antiga cantina da escola será transformada num espaço para reuniões, ou colóquios. Obras que se viu obrigado a fazer depois da passagem deste equipamento para as mãos da Junta de Freguesia: “ Não concordamos com a forma como a câmara municipal nos entregou a escola. Penso que estas entregas deveriam acontecer com os espaços devidamente reabilitados. Não aconteceu. Vamos gastar ali muito dinheiro num espaço que, apesar de protocolado, não é nosso, continua a pertencer à câmara municipal”, diz.
A Casa Cultural, por seu turno, vai ser cedida, por protocolo, à Fábrica da Igreja para que ali possa funcionar a catequese, serviços da paróquia, e ali possam guardar vários objetos e paramentos da Igreja.
O executivo pretende ainda construir um estaleiro (no antigo terreno do posto do peixe) para guardar maquinaria e alfaias da Junta de Freguesia. Provisoriamente “tudo está a ser guardado na Casa Cultural, mas não é melhor solução”.
Outro melhoramento a ter em conta é a informatização dos registos do cemitério: “vamos proceder à informatização de todos os funerais e sepulturas. Os registos até agora em papel passam a estar em formato digital, o que é mais fácil para qualquer pesquisa que seja necessário fazer”, explica.

Águas pluviais e alcatroamentos. Situada numa zona baixa, Avelãs de Caminho sempre teve problemas com inundações. Por isso, César Andrade defende que, na Zona da Povoada, é necessário proceder ao melhoramento da drenagem das águas pluviais: “sempre que vem uma chuvada, as casas e a estrada ficam alagadas. A solução para ali deve ser semelhante à realizada no Largo da Igreja. O ideal é ter duas saídas para a água. O projeto já foi apresentado e existe a promessa da presidente de câmara de que a obra se fará em breve.”
Um outro caso é na zona do Porto Lobo, mais concretamente na Rua dos Combatentes onde a regueira-foreira que encaminha a água para o rio está obstruída. “Aguardamos por decisão da câmara em relação ao que pretende fazer para evitar a inundação naquele local.”
Também na Rua da Ponte do Casal, que liga à freguesia vizinha de Sangalhos, existe a necessidade de levantar um muro de suporte ao pavimento que ruiu. “Aquela é uma estrada camarária e constitui um enorme perigo que urge resolver porque é uma via muito movimentada. Já fiz o alerta numa Assembleia Municipal. Espero que a câmara faça uma intervenção no local com urgência.”
Ainda nesta área, diz que a freguesia carece da reconstrução de duas represas do Rio Cértima (a do Moinho das Nogueiras e a do Moinho da Quebrada), que foram danificadas pela Câmara Municipal de Anadia aquando das obras de desassoreamento do rio e limpeza das suas margens, em 2002. “Elas suportam a força das águas evitando que o rio perca o controle e haja erosão das margens, o que não está a acontecer. São obras que implicam custos elevados que a Junta não pode suportar. Já entreguei na Câmara os dados necessários da Junta de Agricultores para eventual candidatura ao Portugal 2020”.
César Andrade lamenta ainda as pavimentações de má qualidade que se vão fazendo na freguesia: “na última assembleia municipal, alertei para o serviço que a câmara fez em certas ruas de Avelãs de Caminho que não dignificam a autarquia. Os moradores ficaram muito descontentes porque andaram a brincar aos alcatroamentos. Isso aconteceu na Rua Fonte da Bica.”
Neste momento, considera urgente os alcatroamentos na Rua da Portela, que tem um problema de águas pluviais numa curva; na Rua 15 de Agosto com promessa camarária de construção de ramais de água a alcatroamento, ambos ainda por fazer; do caminho agrícola das Nogueira e a criação de saídas para três ruas – da Cartaxa e do Areeiro que facilitaria o acesso ao Centro Escolar e dos Galegos, cuja proprietária até cede terreno para a obra. A conclusão das obras de saneamento e as muitas falhas na iluminação pública foram outros aspetos referidos pelo autarca.

 

Autarca suspende militância do PSD

e faz duras críticas à realidade política no concelho

A cumprir o terceiro e último mandato, o autarca César Andrade estará fora da corrida nas próximas autárquicas. Mesmo assim, não se coíbe de fazer duras críticas à realidade política que o concelho atravessa. “Nunca tive complexos na minha vida política em dizer o que penso. Sempre fui frontal. Por isso, estou cansado de tanta palhaçada no concelho de Anadia.” O autarca refere-se às movimentações políticas que, nos últimos anos, levaram à divisão interna dentro da concelhia do PSD mas também à criação do MIAP.
“Se me pudesse recandidatar iria como independente”, não só porque não se revê no candidato Litério Marques, escolhido pelo PSD de Anadia para a corrida à presidência de câmara, mas porque também não concorda com a atuação da edil, Teresa Cardoso.
“Sou militante do PSD mas vou pedir a suspensão da minha militância. Não entendo como é que agora a concelhia do PSD vai escolher para candidato alguém que expulsou e que criou o MIAP. Isto é uma palhaçada. Depois, condeno que só agora a presidente retire os pelouros ao vereador. Se ele já andava a fazer-lhe oposição há tanto tempo, já lhe deveria ter retirado os pelouros. Expulsa-o agora por uma questão partidária? São jogadas da política que não dignificam ninguém,” conclui.

Catarina Cerca