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Anadia // Bairrada // Oliveira do Bairro  

Parlamento recomenda nó da A1 entre Anadia e Oliveira do Bairro

O nó de acesso na A1 entre Anadia e Oliveira do Bairro está cada vez mais próximo de ser realidade, depois de, esta tarde, terem sido aprovados, no Parlamento, três projetos de resolução, do PSD/CDS-PP, Chega e Bloco de Esquerda, que recomendam ao Governo que garanta a criação do mesmo.

O projeto de resolução do PSD/CDS-PP pede que, na renegociação da concessão da Autoestrada 1, “fique consignada a obrigação da concessionária de criar” um nó entre os dois concelhos, e foi aprovado com a abstenção do PCP.

Com a abstenção do PCP e Livre, foi aprovado o projeto de resolução do Chega, recomendando ao executivo que “determine, com caráter prioritário”, a concretização daquele nó e “proceda à correção das insuficiências de acessibilidade identificadas” naquela via, “através da revisão das condições de exploração da concessão”.

Já o projeto de resolução do BE, aprovado por unanimidade, sugere ao Governo que “assegure a rápida construção” do nó entre os dois concelhos do distrito de Aveiro.

Na reunião plenária, a que assistiram os presidentes dos municípios de Anadia e Oliveira do Bairro, entre outros autarcas, o deputado aveirense Paulo Cavaleiro (PSD) afirmou que a criação do nó é “uma reivindicação tão antiga quanto legítima daquelas populações” e a sua ausência “constitui um constrangimento claro à competitividade da região”.

O parlamentar notou que “são 23,6 quilómetros que distam entre as saídas de Aveiro Sul e da Mealhada, numa das maiores distâncias entre os nós da A1”.

“Quando falamos de pessoas, de empresas, de um território inteiro que espera há demasiado tempo por uma decisão, o que se exige é que possamos ultrapassar definitivamente os atrasos, os bloqueios, os adiamentos e que possamos concretizar esta infraestrutura decisiva para o futuro do distrito de Aveiro e da região da Bairrada”, defendeu Paulo Cavaleiro.

Por seu turno, João Almeida (CDS-PP) adiantou que os dois municípios não se limitaram a reivindicar, mas trabalharam para “desenvolverem a solução técnica para que, quando a opção for tomada, já existir em concreto, como existe neste momento, com o estudo prévio realizado”.

Para o parlamentar do Chega Armando Grave, a criação do nó na A1 é uma “necessidade objetiva, justificada e urgente”, representando uma “resposta necessária em nome da coesão territorial, da competitividade económica e do interesse público”.

“Trata-se de uma medida de justiça territorial, de uma medida racionalidade económica e, sobretudo, de uma medida que serve o desenvolvimento de toda a região da Bairrada e, assim, de todo o país”, frisou.

O deputado Fabian Figueiredo (BE) considerou que o troço de 23 quilómetros da A1 sem uma única saída “é um dos maiores vazios de toda a autoestrada do país”, precisamente onde “vivem mais de 52 mil pessoas”.

“São pessoas que saem de casa às 06:00 da manhã para chegar a tempo ao trabalho, são as empresas da Bairrada, do vinho, do vidro, da cerâmica, do agroalimentar, que pagam todos os dias o preço de uma autoestrada que lhes passa ao lado, mas nunca lhes abre a porta”, exemplificou, referindo ainda os meios de socorro obrigados “a dezenas de quilómetros de desvio”.

Filipe Sousa (JPP) sustentou que os dois concelhos “não podem continuar reféns de um vazio no mapa rodoviário nacional”, enquanto Mário Amorim Lopes (IL) assinalou a surpresa por este investimento não constar “nesse grande plano de reciclagem que é o PTRR [Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência]”, para sublinhar que o que está em causa hoje “já deveria estar feito há muito”.

O deputado socialista Hugo Oliveira disse que hoje o que seria de esperar do PSD “não era um projeto de resolução, era uma solução, porque este tema já foi debatido, já foi consensualizado, já foi dado qual seria a fonte de financiamento”.

“A pergunta é o que é que estão à espera? O que é que estão há dois anos e meio a fazer?”, questionou, declarando: “Aquilo que me preocupa mais é quando se apresenta um projeto de resolução e não mesmo a solução, é porque podem ter medo de o Governo não estar disponível para a realização desta obra”.

O parlamentar do Livre Jorge Pinto defendeu que o facto de haver uma concessão em vigor “não pode, de modo algum, servir de desculpa para, uma vez mais”, adiar a solução, e Paula Santos (PCP) registou “alguma perplexidade, porque são os partidos do Governo que vêm à Assembleia da República recomendar ao Governo que faça um investimento que o Governo tem capacidade para decidir e para executar”.

Agência Lusa