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Desporto // Motocross  

Supercross Poutena: Prova emblemática do motociclismo nacional comemora 50 anos

Nesta edição comemorativa dos 50 anos, que decorre a 1 e 2 de agosto, na Poutena, são esperados mais de 60 pilotos nacionais e estrangeiros.

Apelidada de “Catedral do Supercross”, a Poutena, na freguesia de Vilarinho do Bairro, recebe, a 1 e 2 de agosto, o Campeonato Nacional de Supercross noturno. Nesta edição comemorativa dos 50 anos, são esperados mais de 60 pilotos nacionais e estrangeiros. Tiago Patrão, presidente do Centro Social, Cultural e Recreativo da Poutena, acredita que será uma edição “histórica e memorável”.

O motocross na Poutena celebra este ano meio século de história. Que representa este marco para o Centro Social e para a população?
Celebrar 50 anos de provas de Motocross e Supercross na Poutena é um motivo de enorme orgulho e uma responsabilidade que assumimos com profundo respeito. Não estamos apenas a assinalar meio século de um evento desportivo; estamos a homenagear uma história construída por centenas de pessoas que, ao longo de cinco décadas, dedicaram voluntariamente o seu tempo, o seu esforço e a sua paixão para manter viva esta tradição.
Para o Centro Social Cultural e Recreativo da Poutena, este marco representa um legado que temos o dever de preservar e fazer crescer.
Para a população, é muito mais do que uma competição: é um símbolo de identidade, de união e de pertença.
Ao assinalarmos estes 50 anos, homenageamos todos aqueles que correram, organizaram, apoiaram, patrocinaram, trabalharam de forma voluntária e acreditaram que uma pequena aldeia podia escrever uma história tão grande.
Nesta evolução da competição, quais os momentos mais marcantes?
Foram muitos. Desde as primeiras provas, organizadas com meios muito limitados, até à realização de competições de dimensão internacional, como provas do Campeonato da Europa de Motocross. Hoje, orgulhamo-nos de receber alguns dos melhores pilotos nacionais e internacionais, afirmando a Poutena como uma referência nacional da modalidade. Mas talvez o maior marco tenha sido nunca deixarmos morrer este projeto.
Há alguma história que ilustre bem o espírito desta prova?
Há muitas histórias e cada um de nós terá a sua preferida. Há uma que é especialmente acarinhada pela organização. Numa das primeiras corridas, ainda na década de 70, foi necessário recorrer a um empréstimo bancário para tornar o sonho possível. A curiosidade é que esse empréstimo não podia ser destinado à realização de um evento desportivo, porque, na altura, tal não era permitido. Foi, por isso, formalizado para a compra de um animal de agricultura: uma vaca. Mais do que uma curiosidade, esta história revela o espírito das gentes da Bairrada: pessoas determinadas, criativas e resilientes, que nunca desistiram perante as dificuldades e que sempre encontraram forma de concretizar aquilo em que acreditavam.
O motocross tem uma forte ligação à comunidade local. Como explica essa relação?
Porque esta nunca foi apenas uma prova de motociclismo. Desde o primeiro dia, cresceu lado a lado com a aldeia. Praticamente todas as famílias da Poutena têm, ou tiveram, alguém envolvido neste projeto.
Além disso, esta ligação vai muito além da população. Ao longo destes 50 anos, o evento contou sempre com o apoio da Câmara Municipal de Anadia, da Junta de Freguesia de Vilarinho do Bairro e de dezenas de empresas e patrocinadores locais, que acreditaram que esta prova era um investimento na promoção da nossa terra e da nossa região.
É esta união entre voluntários, instituições públicas, tecido empresarial e comunidade que torna a Poutena diferente.
Como é que o evento contribui para dinamizar a economia local?
O impacto é muito significativo. Durante os dias da prova, alojamentos, restaurantes, cafés e comércio local recebem centenas de visitantes. Muitos acabam por conhecer a região e regressar noutras alturas. Durante um fim de semana, a Poutena chega a milhares de pessoas, dentro e fora de Portugal. Esse é um impacto que não se mede apenas em números.
Quais são os maiores desafios na organização de uma prova desta dimensão?
Hoje, organizar uma prova desta dimensão é extremamente exigente. Há questões relacionadas com segurança, licenciamento, patrocinadores, logística, comunicação, acolhimento dos pilotos e do público. Mas o maior desafio continua a ser o mesmo desde 1976: superar as expectativas de quem nos visita e conseguir fazer melhor do que no ano anterior.
Está prevista a realização de alguma iniciativa especial para celebrar a data?
Sim. As comemorações começaram na passada sexta-feira com o Jantar do Voluntário, que reuniu cerca de 200 pessoas que contribuíram para construir esta história. Seguem-se os dois dias de prova, a 1 e 2 de agosto, ponto alto destas comemorações, e encerraremos este ciclo com um Jantar de Gala, no dia 12 de setembro. A data foi escolhida por um motivo muito especial: assinala exatamente os 50 anos da primeira prova realizada na Poutena, a 12 de setembro de 1976.
Nesse jantar prestaremos homenagem ao mérito individual e coletivo de várias pessoas e entidades que marcaram este percurso.
O que distingue o circuito da Poutena dos restantes?
O traçado apresenta um nível técnico exigente, permitindo aos pilotos proporcionar um grande espetáculo, mas o que realmente distingue o Circuito da Poutena é o ambiente que se vive em torno do evento. O público acompanha a corrida muito perto da ação, vibra com cada volta e cria uma atmosfera difícil de encontrar noutros circuitos.
Na edição anterior, a organização foi amplamente elogiada pela qualidade da organização e pelo ambiente criado, não ficando nada a dever aos melhores circuitos europeus. Não é por acaso que muitos lhe chamam a Catedral do Supercross.
Qual a importância desta prova no calendário nacional?
É uma das provas mais emblemáticas do motociclismo nacional.
Ao longo dos anos conquistou um enorme prestígio e hoje é uma referência obrigatória da modalidade. O facto de conseguirmos atrair cada vez mais pilotos estrangeiros demonstra que a Poutena já ultrapassou as fronteiras nacionais.
O que podem esperar os espectadores nesta edição comemorativa?
Podem esperar aquela que acreditamos ser a melhor edição de sempre. Teremos dois dias de competição, grandes pilotos portugueses e estrangeiros, novas surpresas ao longo do programa e um ambiente que só a Poutena consegue proporcionar.
Queremos que quem venha este ano saia com a sensação de ter vivido uma experiência inesquecível.
Esperam uma afluência superior à habitual?
Estamos confiantes de que esta será uma das edições mais participadas de sempre. No entanto, mais do que os números, aquilo que realmente nos preocupa é receber bem quem nos visita.
Queremos proporcionar uma experiência memorável, com qualidade e muito espetáculo, para que cada pessoa saia da Poutena com vontade de regressar no ano seguinte.

Números
60
pilotos nacionais e estrangeiros, distribuídos pelas diferentes categorias, que elevarão ainda mais o nível competitivo da prova

15 pessoas diretamente envolvidas no planeamento e coordenação do evento. Nos dias da prova, juntam-se cerca de uma centena de voluntários, distribuídos pelas mais diversas funções. Se se acrescentar bombeiros, equipas médicas, Federação, forças de segurança e restantes parceiros, facilmente se ultrapassa várias centenas de pessoas envolvidas