Há dez anos que o Instituto de Educação e Cidadania (IEC), na Mamarrosa, promove a conferência anual Professora Rosinda de Oliveira, iniciativa que evoca a memória da pedagoga e referência das letras e das artes Rosinda de Oliveira.
A 10.ª conferência, realizada no passado sábado, dia 28 de fevereiro, teve como oradora convidada, Xana Sá Pinto, bióloga licenciada e doutorada pela Universidade do Porto e atualmente docente na Universidade de Aveiro. Envolvida em vários projetos europeus, foi apresentada por Sónia Ferreira, diretora do IEC, como uma apaixonada pela comunicação de ciência e pela educação.
Sob o tema “Escolas abertas à comunidade como motor de desenvolvimento sustentável”, a intervenção centrou-se primeiramente na sustentabilidade e nas alterações climáticas. Para a oradora, “a educação pode ajudar a transformar o medo e a ansiedade climática em esperança informada”, defendendo que a escola deve capacitar os alunos para agir.
Entre as competências-chave a desenvolver nas escolas apontou o pensamento sistémico e crítico, a visão estratégica, a autoconsciência, a capacidade de antecipação e a resolução integrada de problemas. Empoderar para a ação, sublinhou, deve ser a principal missão das escolas, garantindo conhecimento, motivação e confiança nos resultados da ação.
Xana Sá Pinto defendeu o que outros oradores vêm defendendo nos últimos anos, uma ainda maior abertura curricular, com autonomia e flexibilidade que permitam às escolas envolverem-se nos problemas reais da comunidade, assumindo-se como centros de inovação e de resposta aos desafios locais. “Nós não devíamos preparar os alunos para exames; devíamos prepará-los para a vida”, afirmou, alertando também para o excesso de horas letivas e de burocracia que limita o trabalho dos professores.
A sua apresentação suscitou reações do público, nomeadamente de Arsélio Pato de Carvalho, fundador e diretor honorário do IEC, e Joaquim Oliveira, diretor do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Bairro (AEOB). Ambos destacaram que, neste concelho, já se seguem algumas destas orientações: no 1.º ciclo, parte da disciplina de Estudo do Meio é orientada pelo IEC e, no Agrupamento de Escolas, 25% do currículo é flexibilizado através de oficinas multidisciplinares e algumas com dinâmicas sugeridas pela instituição da Mamarrosa.
O presidente da Câmara Municipal, Duarte Novo, salientou o papel do IEC e manifestou orgulho “no que já fez e continua a fazer pela educação em Oliveira do Bairro”, sublinhando que o município é uma referência na área ambiental e aposta fortemente na educação ambiental.
Concurso literário e ilustração
No final da conferência, foram divulgados os resultados do Concurso Literário e de Ilustração Professora Rosinda de Oliveira, promovido pela associação Promob e pelo IEC. Carina Oliveira, da Promob, destacou a forte adesão, com a introdução da poesia na vertente literária e participação da lusofonia. “A realização deste concurso permite que a Professora Rosinda viva através dele”, afirmou.
Filomena Martins, presidente do júri literário, revelou a receção de 135 textos, admitindo a dificuldade da avaliação, face à sua qualidade, sobretudo no 3.º escalão. Já Olga Santos, presidente do júri de ilustração, lamentou a diminuição de participantes face ao ano anterior e apelou à necessidade de maior envolvimento das escolas, afirmando que essa trabalho de sensibilização será feito no próximo ano.
A sessão terminou com a entrega de prémios e convite para visitar a exposição “Rosinda de Oliveira: 6 décadas de atividade literária”.
Premiados (Literário)
Prosa – 1.º Escalão
1º Prémio: Miguel Osório
2º Prémio: João Pedro Oliveira
3º Prémio: Maria Duarte
Prosa – 2.º Escalão
Menções Honrosas: Maria do Mar Magalhães; e Helena Duarte (o júri entendeu não atribuir prémios, apenas menções honrosas)
Prosa – 3.º Escalão
1.º Prémio: Carlos Vinhal Silva
2.º Prémio (ex-aequo): Pintora; Biscoitinho
3.º Prémio: Nádia Maria Burda
Menções Honrosas: Angel XXI e João Alberto Roque
Poesia – 1.º Escalão
Menção Honrosa – Camila Castro
Poesia – 2.º Escalão
1.º Prémio: Margarida Barosa
2.º Prémio (ex-aequo): Joedd Lima; K. Mori
Poesia – 3.º Escalão
1.º Prémio: Afonso Henriques Curval
2º Prémio (ex-aequo): Pedro Pedra; e José Rodrigues Carvalheiro Neto
3º Prémio: Catarina Canas
Menções Honrosas: Denise Veras e Daniel Felipe Pereira Coelho

Premiados (Ilustração)
1.º Escalão
1.º Prémio: Valentina Ribeiro
2º Prémio: Ana Paula Medeiros
2º Escalão
1.º Prémio (ex-aequo): Ema Grilo; e Francisca dos Santos
2.º Prémio: Maria Marques

Trabalhos dos vencedores
Concurso Literário
Prosa – 3.º Escalão – 1.º Prémio: Carlos Vinhal Silva, “A Tarde”
A Tarde
Há tardes que não obedecem ao relógio. Estendem-se, cansadas, sobre o tempo, como bichos que já não sabem levantar-se. Respiram devagar e ocupam tudo, como se quisessem ficar para sempre. Esquecem-se da noite e nós ficamos esquecidos dentro delas, a olhar o vazio à espera de um sinal, qualquer coisa que desate o mundo. Aquela tarde era assim: espessa e imóvel. Eu tinha catorze anos e acreditava, com a facilidade cruel da juventude, que o meu pai era feito de uma matéria inteira, uma coisa sem fendas, impossível de quebrar.
Acreditava porque nunca o tinha visto falhar. O meu pai falava pouco, movia-se pela casa com a exatidão de quem já explicou às paredes onde deviam estar. Parecia carregar uma firmeza do berço, vinda de antes das palavras, uma espécie de osso primordial. Eu pensava que ele tinha uma pele que não sabia chorar, uma resistência que o protegia até de si mesmo. O mundo podia cair e ele ficaria de pé. Era isso que eu julgava.
Mas nessa tarde a casa tinha aprendido outro silêncio. Não o silêncio manso das horas demoradas, mas um silêncio desalinhado, como se alguém tivesse deslocado o ar do seu lugar. Tudo permanecia arrumado e ainda assim as coisas pareciam cansadas, envelhecidas de repente. Senti isso antes de saber nomeá-lo, como se o corpo soubesse primeiro. Ouvi a água a correr na casa de banho, um som habitual, quase tranquilizador. Depois veio o outro som, aquele que não devia estar ali: a lâmina a insistir numa pele já limpa desde a manhã. Um ruído breve, repetido, fora do seu tempo, uma memória a sangrar fora do sítio.
Levantei-me com cuidado, como se o chão pudesse partir-se sob o meu peso. O corredor estava quase às cegas e da casa de banho saía apenas uma linha de luz, fina e dura, a dividir o chão como um corte aberto. Avancei sem decidir, porque há momentos em que o corpo anda sozinho para o que vai doer, atraído por uma força sem nome. Pela fresta vi-o. O meu pai estava diante do espelho. O rosto coberto de espuma, branca demais, e a mão suspensa no ar, segurando a lâmina como quem esqueceu o fim do gesto. Parecia alguém interrompido por dentro, alguém que começara a ser e, a meio, descobrira que já não chegava. O tempo tinha-lhe pedido que parasse e ele obedecia, frágil pela primeira vez. Ali, naquele recorte de luz, percebi que até as matérias mais duras aprendem a ceder e que o mundo, às vezes, nos ensina isso tarde demais.
Foi então que vi o que não cabia em nenhuma ordem do mundo: as lágrimas. Quase nada, quase invisíveis, mas reais. Nasciam-lhe dos olhos com uma lentidão cuidadosa, uma água tímida a abrir sulcos na espuma, a desenhar percursos frágeis antes de se perder na corrente, como se nunca lhe tivessem pertencido. A água levava-as depressa, cúmplice, e a casa parecia concordar, tentando apagar aquilo que eu já não podia desaprender.
Fiquei imóvel. Tão imóvel que o corpo soube, antes do pensamento, que qualquer gesto podia quebrar aquele instante raro e doloroso. O ar estava limpo demais, com uma frieza de coisa recém-lavada, e a luz parecia excessiva, quase cruel. Tive a sensação de estar a invadir um segredo, desses que não pedem testemunhas. Era como tocar num livro velho e sentir as páginas a desfazerem-se entre os dedos, deixando pó de memória nas mãos. Havia silêncio em tudo: nele, na casa, dentro de mim. Um silêncio espesso, cheio de coisas que nunca seriam ditas. Ainda assim, não consegui sair. Há momentos que nos seguram pela alma, mesmo quando o medo nos pede para fugir.
Vi-o pousar a lâmina com um cuidado que nunca lhe conhecera, um gesto lento, respeitoso, como se estivesse a deitar alguém a dormir. As mãos ficaram agarradas ao lavatório, procurando na cerâmica uma força emprestada, qualquer coisa que o mantivesse inteiro. Quando fechou a torneira, o som cessou e o silêncio que ficou já não era doméstico. Era um silêncio vasto, sem medida, grande demais para caber em paredes ou nomes. Afastei-me, enfim, e voltei para o meu quarto, tentando regressar a mim mesma. Sentei-me na cama e o coração batia tão forte que parecia querer ocupar todo o espaço deixado pelo que eu ainda não sabia compreender.
Ouvi os passos dele no corredor. Não eram passos cansados nem seguros. Eram passos desencontrados, andando sem destino, como se procurassem um lugar que já não existia. Reconheci o som do armário da entrada a abrir-se, o casaco a ser retirado, as chaves a mudarem de mão. Gestos antigos, repetidos tantas vezes que pareciam indestrutíveis. Ainda assim, nada ali permanecia inteiro. A porta abriu-se. Houve um intervalo antes de ele sair, um intervalo comprido demais, suspenso, à espera de uma palavra impossível. Depois a porta fechou-se. Um ruído breve, comum, que ficou em mim com o peso das coisas que não sabemos nomear e, por isso, nunca largamos.
Ninguém me falou nesse dia. A tarde insistiu em continuar, teimosa, fingindo normalidade. Mas o tempo tinha-se rasgado por dentro. Havia uma fenda invisível a atravessar o ar, separando o que tinha sido do que nunca mais seria. Hoje compreendo melhor: aquilo que lembramos não coincide sempre com o que vimos. A memória é uma água inquieta, que toca e transforma, que leva consigo partes do mundo. No entanto, preserva a ferida intacta, como se fosse a única certeza que não admite esquecimento. O que permaneceu em mim foi o gesto suspenso, a lâmina parada no ar, a espuma a desfazer-se no rosto do meu pai. Aquela fragilidade escondida num ato mínimo. O quotidiano a falhar diante dos meus olhos, ensinando-me que o mundo pode abrir-se assim, sem aviso, num breve desajuste do coração.
Talvez tenha sido ali que o meu pai nasceu outra vez, porque chorar é uma forma secreta de nascer. Talvez esse seja o único milagre que nos é permitido: recomeçar sempre que a dor transborda. Hoje penso que crescer é isto. Ver o que devia ter permanecido oculto. Aceitar que a dor escolhe, quase sempre, os lugares onde vivia a rotina. Aprender que há instantes que ficam e memórias que continuam a respirar dentro do tempo. E o tempo, tal como nós, depois disso, nunca mais aprende a ser o mesmo.
Prosa – 1.º Escalão – 1.º Prémio: Miguel Osório, “Amizade em forma de gota”
Amizade em forma de gota
O dia começou cedo. A água caía do céu de forma torrencial!
No meio da tempestade, uma gota de chuva sentiu-se sozinha e perdida.
– Como é possível sentir-me assim, no meio de tanta água? – questionou, pensativa.
Pareceu-lhe ouvir uma resposta.
– Plic, ploc, splash, ups, ai, caí no chão. Olá, sou a gota Maria. E tu, como te chamas?
– Eu, bem, mas… eu não tenho nome – tartamudeou a gota, apreensiva.
– Não tens nome? De onde vieste? És tão transparente!
– Estou perdida, triste e cansada. Fartei-me da minha nuvem cinzenta e solitária e decidi voar para bem longe. De onde eu vim, não se ouviam vozes, não havia barulho, não havia salpicos, nem gotas com quem falar. De onde eu vim, só havia chuva torrencial e tempestades. Na minha nuvem, moravam muitos sentimentos: a raiva, a tristeza e a ansiedade. E eu transformei-me em gota, para conhecer o mundo!
– Oh! Eu costumo vaguear pela cidade quando o céu fica cinzento, mas ando sempre acompanhada, por outras gotas coloridas, de guarda-chuva em guarda-chuva, sempre muito animada. O meu nome foi um guarda-chuva antigo, de cor amarelo-torrado, que, um dia, me disse que eu seria a Maria. E desde então, todos me começaram a chamar assim. E a ti, eu vou chamar… amiga! E, como todas as amigas têm nome, tu serás a amiga Rita! – exclamou a Maria.
– Amiga? – questionou, admirada. – De onde eu venho, não há amizade, nem tampouco alguém a quem pudesse chamar amigo. De onde eu venho, não há ninguém. Lá, onde eu morava, não havia ruído; nenhum som existia, só havia solidão!
A Maria, surpreendida com o relato, decidiu mostrar a cidade à sua nova amiga.
Começou uma visita guiada aos monumentos, aos jardins, mostrando-lhe flores, borboletas e cores da região.
Ouviram concertos de música clássica, entraram sorrateiramente em museus de arte, apreciaram pinturas extravagantes e esculturas excêntricas.
Entranharam-se pelo telhado da ópera e do teatro municipal, deslumbraram-se com os cenários e com a imponência teatral.
Aventuraram-se também num festival de arcos-íris, onde se agregavam múltiplas gotas e raios de sol em amenas discussões poéticas.
Descobriram palácios através das suas janelas envidraçadas, sonharam com príncipes e princesas e com contos de fadas.
Sentaram-se ainda em cadeiras molhadas das esplanadas vazias, falaram horas e horas, contaram inúmeras aventuras e riram às mil gargalhadas.
E, sem perceberem bem o que estava a acontecer, surgiram verdadeiros laços de amizade, cativaram-se mutuamente, criaram memórias inesquecíveis, deram luz e cor às suas vidas.
Decidiram, por fim, ir visitar o que apregoavam ser o mais majestoso jardim do país. Cheiraram flores de todos os tipos, cujo aroma se espalhava por todos os cantos do grande parque. Havia tulipas azuis, girassóis dourados, rosas vermelhas e malmequeres brancos da cor da neve.
Passearam por caminhos alagados, até que avistaram uma fonte. Era nessa fonte que as outras amigas da Maria brincavam. Dirigiram-se para lá.
– Olá, está aí alguém? – perguntou a Maria.
– Sim, estamos! – responderam em coro. Quem é essa?
– É a minha nova amiga Rita – respondeu.
– Estas são a Joana e a Luísa, as minhas gotas de sempre – apresentou.
– Olá, sou nova por aqui. Só estou de passagem – esclareceu a Rita.
Depois deste diálogo, a Luísa propôs que fossem nadar um pouco para junto das outras gotas. A nova amiga aceitou. Todavia, explicou que já estava a escurecer e que tinha de pensar no seu regresso.
Apressaram-se a entrar na água. Misturaram-se com milhares de gotas, todas juntas a flutuar.
Estava a ser muito divertido, mas a noite não tardava. Chegava a hora de ir embora. Despediram-se da Joana e da Luísa e lá foram pelo céu fora.
Entretanto, o céu ficou estrelado, sem nuvens no horizonte. Apenas restavam daquele dia chuvoso duas gotas de água.
A Rita e a Maria sobreviveram ao temporal.
– Chegou a hora – anunciou a Rita, tristonha.
– Adeus, minha amiga. Até uma próxima vez! – choramingou a Maria.
E assim se sentiu o sabor de uma verdadeira amizade. O sentimento inexplicável que transformou um dia cinzento, num dia colorido!
Rita voltou para a sua nuvem, com a boleia da brisa fresca da noite.
Chegou ao seu destino e percebeu que nunca mais iria estar sozinha, pois Maria estaria sempre no seu coração. Não mais haveria silêncio, nem solidão. Haveria sempre um coração quente e magia para espalhar!
Assim, aquela gota percebeu que ter amigos com quem contar era ter tudo e dar sentido, luz, cor e som à vida!
Poesia – 3.º Escalão – 1.º Prémio: Afonso Curval, “Atravessando o bar da minha antiga faculdade”
ATRAVESSANDO O BAR DA MINHA ANTIGA FACULDADE
a vida é esta
coisa
em que um
momento
se
segue
ao
outro
e
depois
ao
outro
e
depois
ao
outro
e
quando damos por ela passou-se
um
dia
uma
semana
um
ano
mas é sempre assim
sempre um momento
seguindo-se
ao
outro
g
rão
a
g
rão
Até parece mentira
Poesia – 2.º Escalão – 1.º Prémio: Margarida Barosa, “A carta que nunca foi enviada”
A carta que nunca foi enviada
Sentei-me à mesa, a folha à minha frente,
A caneta na mão, preparada para protestar.
Com o coração por toda a mente,
Palavras que não consigo usar.
E o muro que nos separar, vês?
Não é de cimento nem de metal, não.
É a vida que tem leis talvez,
Que só ditam a separação.
A tua riqueza tem preço,
Que alguém do outro lado está a pagar.
Neste mundo de desprezo,
Não há espaço para sonhar.
A raiva que em mim se acumula,
É um rio que quer transbordar,
Mas a tua vida me manipula,
E não me deixa lutar.
Escrevo na folha em branco, juro,
O que ninguém quer escutar.
Um dia o mundo será puro,
Mas só quando não tiver ninguém para o contar.
A verdade que me espanta,
É que este papel molhado,
É a única coisa que canta,
Um hino que fica guardado.
O receio do que pode ser escrito,
O silêncio que preferi,
É o meu castigo, é o meu rito,
A dor que guardo em mim.
Não há envelopes, nem selo,
Nem coragem para a enviar.
Contra o destino não me revelo,
Fico sem querer ficar.
A caneta pouso, o gesto suspendo,
A carta fica por escrever.
A vida não tem senso,
Em nos fazer sofrer.
Talvez, um dia, numa outra vida,
Em que sejamos dois iguais,
Esta seja escrita,
E curados os nossos males.
Mas por agora, o papel jaz,
Um grito mudo e dormente.
A carta que nunca se faz,
Enquanto ainda há desrespeito por ser diferente.
Poesia – 1.º Escalão – 1.º Prémio: Camila Castro, “Entre Capivaras, Pinguins e Confusões”
Entre Capivaras, Pinguins e Confusões
Era início de Novembro,
e nas lojas já havia grande confusão.
Tínhamos uma festa para preparar,
e eu não sabia como ajudar o meu irmão.
O pinguim dele faz anos,
e a minha capivara quer celebrar.
Mas como montar uma pista de gelo
só para o pinguim poder patinar?
Em Animalândia nada é fácil de encontrar,
por isso a decoração que imaginámos
não estava à mão de semear.
E por mais que procurássemos,
as poucas coisas que conseguimos comprar
ainda não eram suficientes
para sequer começar.
A capivara sugeriu então
a madeira utilizar
e um placo construir
para o pinguim poder dançar.
Com o palco construído,
e a capivara a descansar,
o pinguim entrou sorridente,
pronto para festejar.
Acabou por ser a festa mais divertida
que a Animalândia já viu.
O meu irmão ficou contente,
porque toda a gente se divertiu.
Concurso de Ilustração
2.º Escalão – 1.º Prémio: Ema Grilo, “Sensações”

2.º Escalão – 1.º Prémio (ex-aequo): Francisca dos Santos, “Depois do inverno florescem os cravos”

1.º Escalão – 1.º Prémio: Valentina Ribeiro, “Morte de Sofia”


