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Anadia // Vilarinho do Bairro  

Feira Medieval de Anadia promete viagem ao passado

A Feira Medieval de Anadia regressa à Lagoa de Torres, na freguesia de Vilarinho do Bairro, nos dias 24, 25 e 26 de julho. Uma viagem no tempo que vai mergulhar a localidade no reinado de D. Manuel I.

A Lagoa de Torres, em Vilarinho do Bairro, recebe nos próximos dias 24, 25 e 26 de julho mais uma Feira Medieval de Anadia. A freguesia volta a viajar no tempo, regressando à época da nobreza, mas também do povo e do clero. A contagem decrescente já começou e Torres prepara-se para mergulhar, durante três dias, no reinado de D. Manuel I.
Carla Fernandes, presidente da JF de Vilarinho do Bairro, acredita que o evento poderá voltar a acolher cerca de cinco mil visitantes.

O que motivou a Junta de Freguesia, em parceria com a Câmara Municipal de Anadia, a organizar mais esta edição da Feira Medieval?
A Feira Medieval é já uma tradição em Vilarinho do Bairro. Um evento que marca a nossa agenda cultural, portanto, podemos dizer que é “a nossa menina dos olhos” porque o embrião nasceu aqui, em 2015, quando decidimos celebrar os 500 anos de Foral Manuelino. É um evento de continuidade e que tem decorrido muito bem. Tem tido muito sucesso.
Este ano, a viagem faz-se até ao reinado de D. Manuel I. O que vos levou a escolher este período histórico?
O principal motivo é o nosso Foral Manuelino concedido por D. Manuel I. Quisemos voltar à época de D. Manuel I e mergulhar na história dessa época. O evento terá como palco a zona da Lagoa de Torres que proporciona uma envolvência muito boa. Na freguesia este é, sem dúvida, o melhor spot para a realização de uma iniciativa como esta.
De que forma é que esta feira poderá valorizar o património histórico e cultural da freguesia?
Uma recriação histórica acaba sempre por colocar em destaque e valorizar uma época, a nossa história e património. Recordo, por exemplo que a aldeia de Torres e Pombeiro da Beira (Arganil) têm afinidade, fruto de uma relação de proximidade entre o nobre D. Martim Lourenço da Cunha e o rei D. Afonso IV. É também este tipo de ligações que queremos assinalar e divulgar. Ou seja, dar a conhecer que Vilarinho do Bairro tem história e estamos cá.
Esta edição já está a ser preparada há muito tempo?
Atrevo-me a dizer que desde o início do ano. Mas como se trata de uma parceria com a Câmara Municipal de Anadia, há sempre aspetos que vão ficando para trás e são tratados mais próximo da data do evento.
Quais vão ser os momentos altos e as novidades desta edição?
Penso que a animação que está a ser preparada para este ano e algumas surpresas. Posso avançar que, este ano, haverá o jantar do Rei e da Rainha, um momento em que as associações presentes (para já estão confirmadas oito) dão a conhecer ao casal real o que vão estar a servir nas tabernas.
Este é um evento que une os fregueses e a freguesia?
Sem dúvida, o convívio, o espírito de união e de entreajuda ajudam a fortalecer os laços na comunidade. Associações (sociais, culturais e desportivas), população, autarquia, todos estamos imbuídos do mesmo espírito. Proporcionar três dias de muita e boa animação. Vamos ter também mercadores – feira medieval. Temos mais de quatro dezenas de inscritos, mas vamos ter de selecionar porque queremos manter e preservar na feira artigos que se relacionem com esta época e que se enquadrem nesta linha do tempo. Mas posso dizer que alguns dos inscritos são novos e nunca estiveram nas edições anteriores.
Quais estão a ser os maiores desafios na preparação desta edição?
Penso que o maior desafio é o tempo, ou melhor esta corrida permanente contra o tempo porque cumprir timings é sempre o mais complexo. Há muitas variáveis quando estamos dependentes de terceiros. A coordenação do trabalho e prazos num evento organizado em parceria é o maior desafio porque acabamos por ficar condicionados, porque temos tarefas que são da Junta e outras que são da Câmara Municipal. Conjugar e articular tudo é o mais desafiante.
O que podem os visitantes encontrar nestes três dias?
Muita animação, diversão, uma viagem no tempo. O convívio à volta da gastronomia bairradina. Este é também um espaço de encontros e de reencontros. Há pessoas que se reveem só aqui. As pessoas gostam desta envolvência, desta animação e tudo isso acaba por nos dar ânimo e força para continuar – o querer fazer mais e melhor a cada edição, inovando sempre.
À semelhança das anteriores edições, haverá fatos para emprestar, para que as pessoas se possam vestir à época?
Sim, é possível. Vão ser disponibilizados 400 fatos, a custo zero, para homem, mulher e crianças. É só escolher.
Que impacto financeiro tem este evento nas associações?
As associações vão explorar as tasquinhas e toda a receita é para elas. Se apresentarem uma boa ementa, cativarem os visitantes podem tirar deste evento um bom retorno financeiro. Posso dizer que este é o único evento que, na realidade, lhes traz retorno financeiro com alguma importância. Mas claro, todas elas também têm muito trabalho. Mas acredito que todas elas estão também presentes pelo espírito, convívio e amizade, envolvendo largas dezenas de voluntários. A freguesia mobiliza-se em torno desta atividade e se pensarmos que as associações são o motor das freguesias, não tenho dúvidas de que a mobilização é geral.
Quantas pessoas podem passar pela Feira Medieval?
É quase impossível contabilizar. Não há bilhetes, as entradas são gratuitas, mas se pensarmos que estão disponíveis cinco refeições e que temos cerca de 400 a 450 lugares sentados que lotam em todas elas, estamos a falar em cerca de 2250 refeições a que se somam aquelas pessoas que vêm à feira apenas passear e visitar.
Deve andar na casa dos 5 mil visitantes do concelho e de vários pontos da região.
Quais são as suas expectativas para estes três dias?
Muito trabalho, muita e boa animação, divertimento para toda a família e que o evento seja um sucesso. Faço votos de que, no final, nos sintamos todos realizados, sobretudo enquanto comunidade. Que São Pedro ajude e proporcione três dias de bom tempo.

Recuperar o Galo na Caçoila

Apesar da rica gastronomia bairradina, este ano, a Junta de Freguesia quer recuperar a iguaria, desde sempre associada a esta feira histórica, o “galo na caçoila”. Uma receita elaborada com um conceito especial, pois o “galo na caçoila” é cozinhado em espumante baga da Bairrada. Um prato que tem regras específicas para a sua confeção, mas que com o passar do tempo foi perdendo força. Algumas associações têm-no nas ementas, mas é um prato que não tem muita saída.
Para além dos petiscos (moelas, enchidos) e iguarias da região (leitão, negalhos), entre muitos outros, o “galo na caçoila” ressurge e procura o seu espaço junto das preferências dos comensais.