Revoltados e inconformados. Os empresários da Zona Industrial de Vagos (ZIV) não percebem “como foi possível” proceder ao abate de pinheiros, que ladeavam a principal via de acesso do referido espaço.
Alguns industriais, que se escusaram a “dar a cara” num processo que consideram “delicado e mal conduzido”, acabam por “culpar” o Executivo camarário, por falta de informação. E dizem mesmo que não foram “ouvidos nem achados”, pela autoridade florestal que tutela aquela zona.
O empresário Carlos Neves, que foi “vice” de Rui Cruz no último mandato, foi o único que se disponibilizou a falar à Comunicação Social. Para confirmar o óbvio: que é contrário ao “abate total dos pinheiros”, e que os mesmos “dão vida e melhor aspecto à ZIV”.
Nas declarações que fez, Carlos Neves admitiu que seria pertinente que a Autoridade Florestal Nacional (AFN) tivesse dado oportunidade aos industriais de se pronunciarem sobre o abate. E que, contrariamente ao que sucedeu, tivesse apenas optado pelo “abate selectivo dos pinheiros em mau estado”.
É ponto assente que a ZIV é propriedade do município vaguense, embora se trate de um espaço “sujeito ao regime de floresta parcial”. Dito de outra forma: a Câmara é “dona”, mas os “altos” lá existentes são (sempre foram!) geridos pela antiga Direcção Regional de Recursos Florestais. Apenas podem ser abatidos com autorização daquele organismo, quer a solicitação seja da autarquia ou de quem venha a adquirir os lotes.

Requalificar é solução. No caso presente, tanto quanto apurou o JB, a decisão de abater os pinheiros terá partido da AFN. Segundo o presidente da Câmara, Rui Cruz, a autarquia terá sido notificada já em Junho, através de “ofício tipo, de forma genérica, de que ia haver um abate na ZIV”. Contudo, a Câmara “não adivinhava que pinheiros seriam”, acrescentou.
Uma rádio local avançou com informações, colhidas junto de fonte próxima da AFN, que davam como certa uma reunião em Coimbra, entre a autoridade florestal e Rui Cruz, que terá sido informado do corte de árvores “naquela zona em concreto”. O autarca não se opôs, tendo considerado que o abate era “razoável e aceitável”, alegadamente por “garantir a segurança de pessoas e bens”.
Mas a versão do autarca de Vagos é outra. Confirmou que na reunião foram abordadas “outras questões”, e que “não foi informado da intenção daquele organismo em abater pinheiros naquela zona da ZIV”. Admitiu, no entanto, que mostrou disponibilidade em adquirir pinheiros na Zona Industrial, e que foi informado que tal “só poderia ser feito em hasta pública”.
A Câmara de Vagos vai agora requalificar a zona, ajardinando o corredor central da ZIV. “Vamos plantar novos pinheiros e outras espécies de árvores, que diminuam risco de incêndio”, confirmou Rui Cruz.

Eduardo Jaques/Colaborador