Mais de mil e trezentas pessoas assinaram um abaixo-assinado contra a abertura das grandes superfícies comerciais no concelho de Aveiro aos domingos, anunciou ontem a associação comercial local, que promoveu a iniciativa.

O documento, sob o título “Domingos para a família – não à abertura de grandes superfícies aos domingos”, foi entregue na passada terça-feira ao vereador da Câmara de Aveiro com o pelouro dos Mercados e Feiras, Miguel Fernandes.

“No total, foram recolhidas 1.331 assinaturas, em pouco menos de um mês”, disse à Lusa o presidente da Associação Comercial de Aveiro (ACA), Jorge Silva, que se mostrou satisfeito com o resultado obtido.

“É um número [de assinaturas] expressivo, até porque não fizemos grandes pressões. Não andámos a correr atrás de ninguém a pedir para que as pessoas assinassem”, adiantou Jorge Silva.

O presidente da ACA defende que os domingos devem ser dedicados à família, sublinhando a necessidade de “preservar estes conceitos que já vêm dos nossos pais e avós” e lembra que o encerramento do comércio nestes dias é “um desejo antigo da Associação Comercial e dos comerciantes”.

Jorge Silva entende ainda que o município de Aveiro deve tomar uma posição sobre este assunto, independentemente da decisão que for tomada pelos concelhos vizinhos.

“Não podemos andar aqui atrás dos outros. Penso que temos de ter uma noção do que queremos para a nossa cidade e, perante isso, assumirmos as nossas posições”, sustentou.

Após ter entregue o documento na Câmara, Jorge Silva afirmou: “Agora, vamos ficar à espera que haja uma boa decisão, que seja do nosso gosto”.

A autarquia local deverá em breve tomar uma decisão sobre o funcionamento dos hipermercados ao domingo durante todo o dia, estando a recolher pareceres junto de várias entidades.

O novo regime de horários das grandes superfícies com mais de dois mil metros quadrados, que entrou em vigor em Outubro passado, permitiu a abertura ao domingo apenas com uma comunicação prévia às autarquias.

O decreto-lei 111/2010 prevê, contudo, a possibilidade do poder local restringir os horários, ouvidos sindicatos, associações patronais e associações de consumidores.

No entanto, estas restrições só podem ser tomadas em casos “devidamente justificados” e que tenham a ver com “razões de segurança ou de protecção da qualidade de vida dos cidadãos”.