Se há cerca de um mês fizéssemos uma avaliação e prognóstico das vindimas do corrente ano, provavelmente esta edição teria como título, “O Ano de Todos os Males”.
O Inverno, rigoroso e seco, mostrou-se ideal para o estado de dormência da vinha. No entanto, assistimos também a uma estação atípica, marcada pela falta de pluviosidade, que se estendeu até à Primavera, colocando a quase totalidade do país em seca extrema. Entretanto, chegada a Primavera e quando a região devia ter ficado sob o efeito de um tempo mais ameno, inicia-se um período quase infindável de chuvas que consigo trouxe igualmente o míldio e a necessidade de tratamentos fito-sanitários infindáveis e onerosos. Num ano em que as doenças não deram quaisquer tréguas, aqueles que não procederam a intervenções cirúrgicas e atempadas, deitaram por terra qualquer chance de vir a ter uma vindima frutífera e radiosa. E, na verdade, houve quem tivesse perdido tudo este ano, sobretudo porque bastaram três dias em que as temperaturas chegaram a valores a rondar os 45 graus para destruir colheitas inteiras.
2018 será, com certeza, um ano em que houve perdas significativas e, algumas castas, tiveram perdas absolutamente catastróficas. No entanto, a mãe natureza e a auto-regulação e resistência das castas autóctones faz crer que será um ano de grandes surpresas. Daquilo que nos foi permitido observar, a Baga foi a uva que melhor soube fintar as agruras trazidas pelas várias maleitas e sobreviveu incólume até à maturação perfeita para vindima, fazendo adivinhar que, não só teremos um grande ano de espumantes, como podemos antever tintos de natureza excecional.

Especial Vindima 2018 pel’A Lei do Vinho. Para ler na edição de 18 de outubro do Jornal da Bairrada