A adaptação das boas práticas europeias na construção de trilhos sustentáveis à realidade do Concelho de Águeda é o objetivo definido pela Câmara de Águeda ao integrar o projeto europeu DIRTT (Developing Inter-European Resourses Trail builder Training).

“Este projeto está a ser desenvolvido com parceria europeia e no qual estamos a adaptar as boas práticas dos vários países à nossa realidade”, disse Edson Santos,vice-presidente da Câmara de Águeda, acrescentando que, com a troca de experiências e conhecimentos, “poderemos implementar o que mais adequado e ajustado for a esta atividade desportiva no concelho”.

“Águeda tem 125 quilómetros de trilhos de BTT sinalizados e homologados”, lembrou Edson Santos, frisando que só é possível manter a sua qualidade com o contributo de todos, nomeadamente na comunicação de eventuais irregularidades, uma atitude em que clubes e ciclistas podem ter um papel relevante.

O projeto DIRTT surge do núcleo de entusiastas, voluntários e profissionais de BTT da Europa, emergentes de diferentes “backgrounds” da Associação Internacional de Bicicleta de Montanha (IMBA Europa). O objetivo é desenvolver diretrizes na construção de trilhos BTT com uma estrutura educacional que atenda às necessidades de profissionais e voluntários nos setores de planeamento, design, construção, manutenção e gestão de trilhos BTT.

O projeto, cujo investimento aprovado foi de 387.731 euros, é liderado pela Noruega (Fagskolen Tinius Olsen – Escola Profissional) e conta ainda com os parceiros da Holanda (International Mountain Bicycling Association Europe – IMBA), Escócia (Scottish Cyclists Union – órgão regulador da modalidade de ciclismo na Escócia), Suíça (BikePlan – empresa para desenvolvimento de destinos turísticos de bicicleta), Dinamarca (Danske Gymnastik og Idreaetsforeninger – organização desportiva sem fins lucrativos), Portugal (Município de Águeda) e Noruega (Opplysningskontoret for Terrengsykling), e tem uma duração três anos (setembro de 2019 a final de agosto de 2022).

No âmbito deste projeto, foi efetuado um levantamento, a nível europeu, das necessidades dos diferentes “stakeholders”, dividido em dois inquéritos, ambos elaborados pela Universidade de Edimburgo. Com base neste levantamento, no primeiro inquérito (grupo de referência), no qual Portugal foi o 5.º país, entre 16, que teve uma ação mais participativa, é revelado que 85% dos inquiridos considera que não existe, em Portugal, formação suficiente, nomeadamente no que respeita ao planeamento e design dos trilhos. Os inquiridos salientam ainda a importância de uma formação certificada no setor.

Foi realizado um segundo inquérito, destinado a ciclistas, no qual é evidenciado que a maioria dos ciclistas de BTT percorre trilhos “singletrack”, com ligação à natureza, downhill, linhas opcionais/múltiplas. Isto porque muitos ciclistas valorizam a ligação à natureza como principal motivação para a viagem e, consequentemente, valorizam a criação de trilhos ambientalmente sustentáveis.