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Águeda // Fermentelos  

Teste com Canadair confirma potencial da Pateira no apoio ao combate a incêndios

Foi a primeira vez que a Pateira de Fermentelos recebeu testes com um Canadair, demonstrando capacidade para receber aeronaves de maior dimensão.

Decorreu, na manhã de 21 de maio, na Pateira de Fermentelos, um teste de abastecimento de água por um avião anfíbio Canadair. A ação, promovida pela câmara municipal de Águeda, em colaboração com a Junta de Freguesia de Fermentelos, os Bombeiros Voluntários de Águeda e a Proteção Civil, serviu para testar a viabilidade de utilização daquela pista aquática por meios aéreos pesados, reforçando o dispositivo de combate a incêndios florestais na região durante a época mais crítica.

Instalada no espelho de água da Pateira, a pista dispõe de um corredor com cerca de 1.100 metros de comprimento e 120 metros de largura, preparado para operações de “scooping” – manobra através da qual as aeronaves recolhem água diretamente da superfície. A área encontra-se delimitada por boias e livre de obstáculos como redes de pesca ou estacarias, garantindo condições de segurança para as manobras de abastecimento.

Embora a infraestrutura já tivesse sido utilizada anteriormente por aviões Fireboss, esta foi a primeira vez que recebeu testes com um Canadair, demonstrando capacidade para receber aeronaves de maior dimensão. Para Carlos Lemos, presidente da junta de freguesia de Fermentelos, que acompanhou o teste no local, esta é “uma mais-valia não só para Águeda, mas para toda a região”. O autarca explicou que a criação deste corredor aquático resultou de um trabalho conjunto de várias entidades e aproveitou para agradecer a colaboração dos pescadores locais, que durante o período crítico evitam colocar redes na área sinalizada e apoiam na vigilância da pista.

Francisco Santos, comandante dos Bombeiros Voluntários de Águeda, enalteceu a importância da localização estratégica da Pateira para aumentar a eficácia do combate às chamas. Até agora, os aviões eram obrigados a recorrer a pontos de abastecimento mais distantes, como o Porto de Aveiro, a Barragem de Ribeiradio ou a Barragem da Aguieira. A nova solução permite encurtar significativamente as distâncias, aumentando o número de descargas possíveis por missão. “Conseguirmos que os Canadair operem aqui é uma mais-valia. Um avião com cerca de hora e meia de autonomia pode fazer até 20 descargas se abastecer na Pateira; caso contrário, esse número reduz-se drasticamente para metade”, explicou o comandante.

Já Vasco Oliveira, vereador da câmara de Águeda responsável pelo pelouro da Segurança e Proteção Civil, considerou que este tipo de preparação “reveste-se de uma particular importância” numa altura em que se aproxima a época de incêndios. “É mais uma ferramenta para o nosso dispositivo de proteção civil”, afirmou, defendendo que o sucesso da resposta operacional depende da articulação entre as diferentes entidades envolvidas.

O autarca destacou ainda o trabalho de prevenção que está a ser desenvolvido no concelho, nomeadamente ao nível da limpeza de terrenos junto às habitações, cujo prazo foi prolongado até ao final de junho. “Temos a nossa fiscalização também no terreno juntamente com a GNR para que as pessoas vão limpando junto às suas casas”, referiu.