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Mealhada // Sociedade  

FAG da Mealhada renovada e mais próxima atraiu milhares de visitantes

Este ano, a principal novidade da Feira de Artesanato e Gastronomia da Mealhada foi a reorganização do recinto.

A edição de 2026 da FAG – Feira de Artesanato e Gastronomia da Mealhada fechou portas no domingo, 14 de junho. Reuniu milhares de visitantes ao longo dos seis dias do certame, com animação, gastronomia, artesanato e música no coração da cidade, confirmando a vitalidade deste que é um dos mais importantes eventos do concelho e também da região.

Este ano, a principal novidade da FAG foi a reorganização do recinto. O novo layout, pensado para melhorar a circulação, evitar constrangimentos aos moradores, proporcionar a melhor experiência aos visitantes e a valorização dos expositores, recolheu elogios generalizados de artesãos, associações e público.

Em jeito de balanço, o Município garante que a mudança se sentiu desde o primeiro dia: “Os espaços tornaram-se mais acessíveis, mais convidativos e mais próximos entre si, criando uma dinâmica que favoreceu a permanência dos visitantes e o contacto direto com os artesãos e produtores.” Estas conclusões foram retiradas dos primeiros dados, ainda provisórios, do Questionário de Avaliação da população – ainda a recolher dados online – e dos artesãos, feito pela autarquia.

Noites de grande participação

A programação musical foi outro dos pontos altos da edição. Os concertos de Tony Carreira, Quim Barreiros e Anselmo Ralph levaram milhares de pessoas ao recinto, proporcionando noites de grande participação e entusiasmo. Também a atuação dos Karetus atraiu uma forte presença de público, contribuindo para a afirmação desta Feira como um evento capaz de reunir diferentes gerações e gostos musicais.

Paralelamente, a aposta nos grupos e associações locais voltou a revelar-se um dos pilares da feira, reforçando o papel da FAG como montra do talento, da identidade e da dinâmica associativa do concelho. Para tal, foi determinante o apoio das várias associações envolvidas neste evento, desde as tasquinhas à área cultural, estando ao lado da organização em muitas outras atividades.

Nuno Veiga, vereador com os pelouros da Animação e Promoção Municipal, sustenta que “a FAG mostrou e provou que tem espaço para evoluir. É muito mais do que um evento, é um espaço de encontro, de celebração da nossa identidade e de valorização de quem faz acontecer. A resposta do público e dos participantes demonstrou que as alterações introduzidas este ano foram acertadas e que a feira continua a crescer sem perder a sua essência.”

Já António Jorge Franco, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, destaca que o evento “é hoje uma referência regional e nacional. Conseguimos trazer milhares de pessoas à Mealhada, dinamizar a economia local, promover os nossos produtos de excelência e criar momentos de convívio que reforçam o orgulho de pertença ao nosso concelho. Este é um resultado que pertence a todos os que contribuíram para o sucesso da feira.”

Entre os artesãos, o sentimento é igualmente positivo, manifesta a autarquia. No encerramento do certame, na entrega dos certificados de participação a todos os expositores, a maioria dos inquiridos apontou para a preocupação da câmara municipal em melhorar a experiência de quem expõe e de quem visita. Os artesãos destacaram a organização do recinto e a proximidade com o público, que potenciou uma melhor circulação e um ambiente geral mais agradável.

FAG serve de palco a reivindicações ao Governo

Na sessão de inauguração, o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco, sublinhou a importância da feira enquanto elemento de afirmação da identidade local, considerando que a FAG é “muito mais do que um certame”, representando uma mostra das tradições, da criatividade dos artesãos e da capacidade de transformar a cultura e o património em desenvolvimento económico, turístico e social.

António Jorge Franco, presidente da Câmara Municipal da Mealhada

Classificada desde há três anos como Feira de Artesanato Nacional pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, a FAG reuniu este ano cerca de 100 artesãos, dos quais aproximadamente 20% do concelho da Mealhada. Para o autarca, o evento tem vindo a consolidar-se como uma referência regional, promovendo o que de melhor se produz no território.

António Jorge Franco destacou ainda a aposta do município em manter a feira no centro urbano da cidade, considerando que essa localização constitui uma opção estratégica. Segundo o presidente da Câmara, os grandes eventos devem estar próximos das pessoas e contribuir para a dinamização do comércio, da restauração e da economia local, reforçando a ligação entre a feira e a comunidade.

Autarca reclama mais meios para os municípios

A presença do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, serviu igualmente de oportunidade para António Jorge Franco abordar algumas das principais preocupações do poder local. O autarca defendeu a descentralização de competências, mas alertou para a necessidade das novas competências atribuídas aos municípios serem acompanhadas pelos respetivos recursos financeiros.

Recordando que a Mealhada foi pioneira em áreas como a educação, assumindo responsabilidades muito antes da atual política nacional de descentralização, António Jorge Franco sustentou que as autarquias estão mais próximas das populações e conseguem responder de forma mais eficaz aos seus problemas.
Contudo, advertiu que os municípios enfrentam responsabilidades crescentes sem que as transferências financeiras do Estado acompanhem, em muitos casos, os encargos assumidos.

“Os municípios não pedem privilégios, pedem apenas que a confiança que o Estado deposita neles através da descentralização seja acompanhada dos meios necessários para servir melhor as populações”, frisou António jorge Franco.

Ferrovia entre as prioridades

Outra das mensagens fortes deixadas pelo presidente da Câmara incidiu sobre as infraestruturas ferroviárias da região.

António Jorge Franco aproveitou a presença do governante para reclamar uma atenção reforçada ao Ramal da Figueira da Foz, cuja importância “ultrapassa largamente a dimensão local. Trata-se de uma ligação estratégica entre o Porto da Figueira da Foz e a Linha do Norte, fundamental para a mobilidade de pessoas e de mercadorias e para o desenvolvimento económico de toda esta região”.

O autarca alertou para os constrangimentos existentes na zona de Alfarelos, que classificou como um “verdadeiro funil ferroviário, que limita a circulação e reduz a eficiência da rede” e defendeu que a futura implementação da Linha de Alta Velocidade torna ainda mais evidente a necessidade de reforçar e valorizar o papel do Ramal da Figueira da Foz, com este complemento ao Ramal de Alfarelos.

Na mesma intervenção, António Franco voltou a salientar a importância da Plataforma Logística da Pampilhosa, um investimento estruturante que integra a Rede Principal da União Europeia e o Corredor Atlântico, deixando um apelo claro para que estes projetos continuem a merecer atenção e investimento por parte do Estado.

Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território

Na resposta, Silvério Regalado reconheceu a legitimidade das preocupações apresentadas pelos autarcas e assumiu que o financiamento da descentralização constitui uma das prioridades do atual Governo. O secretário de Estado revelou que está em curso um trabalho conjunto com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, a Associação Nacional de Freguesias e a Associação Nacional das Assembleias Municipais para rever os mecanismos de financiamento das competências transferidas para as autarquias.

O governante admitiu que, em áreas como a educação, a atualização das verbas transferidas ficou aquém do aumento efetivo dos custos suportados pelos municípios, nomeadamente devido à evolução salarial dos trabalhadores, situação que está atualmente a ser reavaliada.

Silvério Regalado defendeu ainda a simplificação administrativa e a redução da burocracia na relação entre a administração central e as autarquias, reiterando a confiança do Governo no papel dos municípios enquanto agentes fundamentais de desenvolvimento.