Mais de 32 mil pessoas passaram pela Praia da Vagueira, entre os dias 3 e 12 de julho, para a 11.ª edição do Vagos Sensation Gourmet (VSG). O número, acima das expectativas da organização, confirma o crescimento do festival e consolida-o como um dos principais eventos gastronómicos e turísticos da região, capaz de atrair públicos de diferentes pontos do país e do estrangeiro.
“As expectativas foram amplamente superadas”, assegura Tony Martins, um dos responsáveis pela organização, dando nota de que a forte adesão do público se fez sentir em praticamente todas as iniciativas. “Tivemos quase sempre a nossa praça cheia”, avança, destacando ainda a elevada procura pelos workshops realizados no Espaço Arte Xávega, pelas demonstrações gastronómicas, pelas noites de ‘fogo no chão’ na praia ou pelas experiências mais exclusivas. “Todos os almoços, jantares e experiências ‘match’ esgotaram e cerca de 90% dos workshops também tiveram lotação máxima”, revela o organizador.
Embora a maior afluência se tenha concentrado nos dois fins de semana, a organização destaca a intensidade da programação desenvolvida durante a semana, com iniciativas dirigidas a públicos de diferentes faixas etárias e contextos. Workshops com instituições sociais, atividades para crianças e bebés, experiências dirigidas a seniores e ações inclusivas conviveram com showcookings, provas vínicas, concertos e momentos de animação, numa programação pensada para chegar a toda a comunidade. Para
Maria Pedro Silva, esta diversidade continua a ser uma das principais marcas do VSG. “Tentamos que toda a gente tenha acesso ao evento, quer através das iniciativas de maior dimensão, quer das experiências mais intimistas. A cozinha é o ponto de partida, mas também uma forma de chegar ao outro, de experimentar e de criar momentos sensoriais”, resume.
Tempo para abrandar e saborear
Além de servir como fio condutor da programação, o tema desta edição procurou desafiar os visitantes a abrandar, a saborear cada momento e a refletir sobre o ritmo acelerado da vida contemporânea. Para a organização, a mensagem encontrou eco no público e foi vivida muito para além dos pratos servidos à mesa. “Conseguimos que as pessoas entrassem pelas paredes fictícias deste recinto e abrandassem. Viveram o evento, sentiram-no e vieram com tempo para estar connosco”, considera Maria Pedro Silva. Uma leitura partilhada por Tony Martins: “É um tema muito atual, que nos faz parar e pensar um bocadinho. Acho que as pessoas viveram isso connosco e deram-nos precisamente aquilo que lhes pedíamos: tempo.”
Para o organizador, o crescimento sustentado do festival resulta, acima de tudo, da identidade que foi consolidando ao longo dos anos. “O Vagos Sensation Gourmet cresceu sem esperar validação. Chegou até aqui porque encontrou pessoas, parceiros e uma comunidade que acreditaram antes de ser conveniente acreditar (…) Não somos perfeitos, mas temos uma coisa que não se compra nem se atribui por despacho: identidade”, afirma.
Essa capacidade de atrair novos públicos foi igualmente frisada por João Paulo Sousa, padrinho do VSG. O apresentador de televisão – que, este ano, foi entronizado confrade de honra, da Confraria Gastronómica “As Sainhas” de Vagos –, diz ter encontrado, nesta edição, um festival cada vez mais aberto a visitantes de diferentes proveniências. “Continuavam lá as pessoas da terra, que já fazem parte da casa, mas vi muita gente nova e grupos de fora do concelho. É um sinal de trabalho bem feito.”
Na perspetiva de João Paulo Sousa, o sucesso do evento reside precisamente no equilíbrio entre a valorização da identidade local e uma programação capaz de atrair referências nacionais e internacionais da gastronomia. “É isso que faz diferença. Não é só visitar um sítio, é absorver a cultura local. Depois juntamos chefs de outros países e essa mistura torna-se explosiva”, ilustra.
Enquanto decorriam os últimos momentos da edição de 2026, a organização já começava a olhar para o futuro. A preparação da 12.ª edição está em marcha, embora o tema ainda não esteja definido. As primeiras ideias continuam a ser reunidas, mas Maria Pedro Silva admite que a música poderá servir de inspiração para o próximo Vagos Sensation Gourmet.
