Passamos, muitas vezes, sobre a vida sem darmos conta da importância ou sentido dela, nas suas vicissitudes humanas, materiais ou divinas. Andamos num entorpecimento permanente e distraído e quando acordamos de um marasmo espiritual, por momentos, descobrimos a perda dos valores e dons que nos são concedidos como algo que constrói o nosso caminho sério, honesto e único – o caminho da Verdade.
Contudo, é-nos dada sempre uma oportunidade de recuperação das nossas debilitadas virtudes que parecem basear-se na Fé, mas apenas numa dimensão material. Mesmo nesta vertente, se há um aproveitamento consciente e humilde, nada se perde e surge sempre a oportunidade soberana para todos colaborarem na paz, concórdia e interajuda da sociedade, mesmo que se desconheçam os seus membros, uns aos outros.
Disse, um dia, o nosso Jesus Cristo: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida (sangue) pelos seus amigos. Vós sois meus amigos…» Jo.15/13.
Ora, convenhamos, estamos numa época adequada que nos enquadra nesta altíssima atitude cristã.
Aproxima-se o tempo de perscrutarmos mais intimamente a entrega generosa e livre do sangue de Alguém que lavou o pecado do mundo, dando ao homem o ensejo de aproveitamento salvífico para todos os que, humildemente, procuram aceitar, ainda mesmo sem compreender, o Mistério da Cruz, onde Jesus Cristo derramou o Seu sangue para que todo o homem de boa vontade pudesse ser misteriosa e espiritualmente lavado. A maldade e inveja dos humanos são assim vencidas por uma entrega total, sem segundas intenções nem reservas dAquele que ama todos a quem convida a assumir atitudes idênticas, pois só baseando toda a existência no Amor se poderá atingir a paz e a felicidade.
Quis o mesmo nosso Deus provar a minha pessoal atenção à Sua paixão, “enviando-me” para o Hospital, onde permaneci alguns dias, no silêncio de mim mesmo, mas despertando para uma realidade, tantas vezes, levada em pouca consideração e valia.
Foi-me detetado um estado débil, pois o meu sangue havia, quase, desaparecido.
Na sala de observações e trabalhos, logo me foi aplicada uma primeira transfusão de sangue para adquirir alguma força que vencesse aquela fraqueza notória.
Como que de um sonho revelador, acordei para a Paixão de Cristo e Seu sangue “guardado” como reserva a fim de que todos tivéssemos VIDA.
Agora, sentindo correr no meu corpo um sangue que não é o original, percebo e aceito as suas recolhas como dádivas para salvar o equilíbrio físico de alguém.
Meditando, dei graças a Deus pelo sangue derramado na Cruz para nossa redenção. E, ao mesmo tempo, agradeci o amor dos que, acreditando ou não no sobrenatural, mas em gesto de despretensioso amor, dão parte do seu sangue para que a qualquer irmão, ainda que desconhecido, lhe seja salvaguardada a saúde.
Rezo por quantas pessoas que, gota a gota de amor, me libertaram, para já, de algum desconforto, como também louvo o Senhor Jesus, pelo Seu radiante sangue que nos redime da doença do pecado, se nos predispusermos a tal graça tão infinita, e é espelho para as dádivas voluntárias de sangue que significam uma enorme e feliz vontade de fazer bem, sem esperar nenhuma compensação material.
