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Manuel Armando

Padre

Os “falhados”, à primeira vista

Fui, ao longo dos anos, ouvindo falar do sentido do falhanço. É claro que aprendi, com base em factos muito concretos, o que era falhar.

Quando trepava os pinheiros para ver jogar o clube dos pés descalços – eles não tinham chuteiras – da minha aldeia, já ouvia o desabafo triste de quem lamentava não ser marcado um golo com «quase em cima da baliza, falhou o golo e a vitória».

Minuto a minuto, agora, todos nos vamos deparando com a realidade insofismável de que qualquer ser humano está sujeito a “falhar”, i.e., não alcançar a realização dos seus objetivos concretos e justos, que seriam a base forte e firme para alguma felicidade duradoira.

E nem vale a pena apontarem-se os vários nomes que se aplicam ao falhanço. Depende de variadíssimas ocasiões do estado anímico, sentimental ou cívico de muita gente, que desanima logo que apenas é anunciada a tempestade.

Indivíduos ou Empresas que fracassam podem estar dependentes dos mais diversos parâmetros e exigências, nem sempre medidas como ações necessárias à ligação entre todos os elementos constitutivos, chamados a fazer engrenar as variadas secções, de modo a haver no grupo um dinamizador que supera, pela sua experiência, competência e personalidade social, as dificuldades que começam a aparecer em muitos setores vitais.

Antes que chegue a derrocada, é necessário, naturalmente, o consenso que será a cotização de cada um na responsabilidade geral para exemplar funcionamento da dita Empresa. Mal vai é quando o senso comum se lança no monturo do lixo.

Constatamos, diariamente, que, em todos os cantos, as pessoas supõem um diálogo o qual sirva para se colocarem os dados nas devidas casas e o jogo chegue ao fim com a vitória de algum lado, mas sem quezílias nem rivalidades. Ninguém é mais que ninguém, mas todos possuem uma inteligência que deve ser humilde e dialogante.

Em qualquer setor, onde se presume diálogo franco, subentende-se que há quem fala e quem ouve, cada um na sua vez.

Esse modo de entendimento mútuo chama-se hombridade, educação, sinceridade, compreensão, aceitação recíproca, cordialidade, correção fraterna, respeito pelas opiniões alheias, virtudes e dons de cada qual e muitas outras mais atitudes que se vão descobrindo ao longo da convivência.

Falando para pessoas crentes, chamaria, a tudo quanto é união, AMOR.

Na vida social será, possivelmente, o mesmo conceito, ainda que disso não haja o conhecimento e a aceitação nessa grandeza.

No âmbito familiar qual será o elo de união? O Amor. Deus assim criou a família, Homem e Mulher, unidos no vínculo do Amor pela Vida. Essa união nunca foi tida como mera experiência, mas como algo que eleva ambos à categoria de colaboradores no Amor da Criação.

Não sendo vivido com a intensidade devida e decente, o Amor está moribundo, ou mesmo morto, e as novas experiências, feitas de galho em galho, cada um o mais frágil, levarão tudo a acabar estatelado no fosso da frivolidade e imoralidade.

Para uma vivência plena e sentida, haverá de procurar-se o amadurecimento recíproco, fundamentado na humildade e espírito de doação sem reservas nem limites, visando o progresso interior leal e sobrenaturalizado. Aí, quem falha não ama e quem ama vai até ao fim.

Nada acontece por acaso e à primeira vista, quando até um “cego” vê e agradece,
espiritualmente, a grandeza de se encontrar como ser humano.