Os resultados do PISA 2025, divulgados há poucos dias pela OCDE, obrigam-nos a fazer esta pergunta. O PISA avalia alunos de 15 anos e procura perceber não apenas aquilo que aprenderam, mas se conseguem aplicar conhecimentos, resolver problemas, interpretar informação e pensar criticamente. Não mede tudo o que a escola deve ensinar, mas mede competências fundamentais para estudar, trabalhar e viver nas sociedades modernas.
Em 2025 participaram cerca de 760 mil alunos de 91 países. Em Portugal foram avaliados 6945 alunos de 225 escolas. Os resultados acompanham a tendência descendente da maioria dos países e mantêm-nos próximos da média da OCDE.
Em Ciências, Portugal obteve 482 pontos, exatamente a média. Em Matemática ficou nos 460, contra 463 da OCDE, e em Leitura nos 462, praticamente o mesmo que os 461 da média. Poderíamos concluir que não estamos assim tão mal. O problema é que a média também está a cair.
Entre 2022 e 2025 perdemos 12 pontos em Matemática e 15 em Leitura. Em Ciências, a redução foi menor. Mais preocupante ainda: em 2015 tínhamos 492 pontos em Matemática, 498 em Leitura e 501 em Ciências. Dez anos depois estamos nos 460, 462 e 482. Voltámos para valores próximos dos de 2006. Em pouco tempo desperdiçámos uma parte importante dos progressos conquistados durante mais de uma década.
Durante algum tempo foi possível culpar a pandemia, o ensino à distância. Era uma explicação plausível. Hoje já não chega. Os resultados voltaram a cair e temos de ter a coragem de olhar para o problema.
Também continua muito forte o peso das desigualdades sociais. Em Ciências, os 25% de alunos mais favorecidos obtêm mais 92 pontos do que os 25% mais desfavorecidos. A escola universalizou-se, mas continua a não conseguir garantir igualdade de oportunidades.
Há, no entanto, sinais positivos. Cerca de 80% dos jovens dizem gostar de aprender coisas novas e 81% gostam de perceber como as coisas funcionam. Ou seja, não é sério reduzir o problema à ideia cómoda de que os jovens não querem saber.
O PISA também não nos diz qual é a política educativa certa, nem que a educação se pode reduzir a um ranking. Mas isso não pode servir de argumento para ignorar resultados maus.
Talvez tenhamos ido longe demais numa ideia errada de educação sem esforço, sem exigência. Colocar o aluno no centro do processo educativo não significa transformar o professor num prestador de serviços, a escola num espaço sem autoridade ou o insucesso numa responsabilidade alheia.
Aprender exige esforço. Exige disciplina, concentração, persistência e capacidade de lidar com a frustração. Nem tudo tem de ser fácil, divertido ou imediato. A escola deve apoiar quem tem dificuldades, criar oportunidades e combater desigualdades, mas não pode eliminar a exigência.
Nunca tivemos, genericamente, escolas tão equipadas, tantos recursos disponíveis e um acesso tão fácil ao conhecimento. Por isso também temos de ser claros com alunos e famílias: o sucesso não depende apenas do professor, do currículo, do Ministério ou da escola. Depende muito do trabalho e do empenho de cada aluno.
Estudar continua a valer a pena. Num mundo em que o conhecimento, a ciência e a tecnologia serão cada vez mais determinantes para a prosperidade das nações, baixar a fasquia da educação é hipotecar o futuro.
A pergunta, por isso, não deve ser apenas quem tem a culpa, mas outra, bem mais importante: o que vamos fazer para voltar a melhorar?
