O ministro da Educação Nuno Crato presidiu, no passado dia 22 de Setembro, à inauguração do 1.º Centro Escolar a entrar em funcionamento no concelho de Anadia.
O equipamento, que já recebeu os primeiros alunos em Março deste ano, custou 3 milhões e 700 mil euros. “A Câmara tem a obra paga, embora não tenha sido ainda ressarcida da correspondente percentagem de comparticipação do Estado, ou seja, dos 2. 423. 594 euros”, diria, na oportunidade, o autarca de Anadia, Litério Marques, que tem já mais três pólos escolares (Paredes do Bairro, Sangalhos, Avelãs de Cima/Avelãs de Caminho) adjudicados. Por isso, lamentou que o apoio do Estado às obras das escolas, no que toca aos fundos comunitários, seja penalizador, comparativamente a apoios concedidos a outras áreas de investimento.
Na cerimónia, que contou ainda com a presença do Ministro da Educação de Timor, o autarca de Anadia sublinhou que, “graças a uma gestão equilibrada e de rigor, o município só poderá sofrer da crise por contágio e pela penalização a que estará sujeito pela redução das transferências de verbas da Administração Central para as autarquias”.
O autarca de Anadia destacou ainda que outra escola (Amoreira da Gândara) foi requalificada e que será inaugurada no próximo dia 7 de Outubro, às 17h. A infra-estrutura, que designou de low-cost, “obedece a todas as normas regulamentares, porém desde a construção aos equipamentos, foi tudo feito a pensar num investimento que não traga dificuldade de sustentabilidade no futuro”. E, dando a conhecer algumas das suas preocupações, deixaria alguns “recados” ao Governo de Pedro Passos Coelho, no que diz respeito a nomeações de pessoas para organismos públicos (exemplo – DREC’s, que vão ser extintas pela tutela) e às Actividades Extra-Curriculares (lamentando que às Câmaras não seja permitido fazer contratações com a mesma facilidade das empresas ou associações, considerando os impedimentos resultantes de uma Lei discriminatória no que à contratação diz respeito).
Não esquecendo o ensino privado, Litério Marques alertou o ministro sobre o período de incerteza em que se encontram mergulhados os estabelecimentos de Ensino Privado. “São escolas que, ao longo dos anos, obtiveram grandes sucessos. Não gostaria de as ver encerrar pois fazem parte da economia do concelho e da região. Numa só palavra, ajude-as a vencer a crise”, disse.

Ensino de qualidade. Nuno Crato mostrou-se bastante agradado com a visita realizada a este novo equipamento escolar. “Portugal gostaria de ter muitas escolas como esta. Este Centro Escolar é um exemplo”, disse, salientando também que só equipamentos como este possibilitam juntar alunos provenientes de vários estabelecimentos de ensino mais pequenos e proporcionar uma aprendizagem de qualidade.
“Este ano fechamos 300 escolas. Os alunos passaram para Centros Escolares deste tipo”, dando conta de que este modelo de reorganização é para seguir.
“Esta é uma escola onde se vão divertir muito e trabalhar bastante”, disse aos mais de 250 alunos, dando conta de que a exigência e a qualidade no ensino têm de andar lado a lado.
“Os alunos têm de trabalhar, respeitar e apoiar os professores”, referiu, pedindo ainda aos pais e encarregados de educação presentes para que saibam também apoiar os docentes: “apoiem os professores dos vossos filhos na exigência . É preciso disciplina e bom ambiente de trabalho.”
O ministro da Educação diria ainda que, num momento difícil como aquele que o país atravessa, “temos de poupar em tudo” e também ter cuidado com as escolas que construímos, ou seja, é necessário estar atento às necessidades e ao tipo de escolas que se constrói.
Por outro lado, em resposta a uma crítica feita pelo autarca de Anadia quanto à nomeação de pessoas para organismos que vão ser extintos, adiantou que as pessoas convidadas para as Direcções Regionais de Educação são “pessoas que aceitaram o convite e que devem ser apoiadas já que ocupam lugares provisórios com a tarefa de simplificar a estrutura e tornar os contactos mais directos tendo em vista a desburocratização”.
O responsável pela pasta da Educação sublinhou ainda a existência de três prioridades no Ensino: dar mais autonomia às escolas; apostar no ensino profissional e aumentar o grau de exigência para que a escola funcione melhor.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt