A Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, no concelho de Aveiro, votou a favor do traçado proposto pela autarquia local para a via de acesso à futura Unidade de Tratamento Mecânico-Biológico (UTMB), anunciou no sábado fonte autárquica.

A decisão foi tomada durante uma reunião extraordinária daquele órgão, realizada na sexta-feira à noite, e vai contra a pretensão de uma comissão de cidadãos da freguesia que defendia um traçado alternativo mais para norte.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Assembleia de Freguesia, Manuel Vieira, disse que o traçado proposto pela Câmara (PSD/CDS-PP) obteve oito votos a favor e um contra, sendo que a votação decorreu por voto secreto.

A Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima é composta por nove elementos (cinco de um movimento independente e quatro da coligação PSD/CDS-PP).

Durante a reunião, o presidente da Junta, Antero Santos, disse ser a favor da proposta da Câmara, enquanto que o presidente da Assembleia, Manuel Vieira, assumiu que, pessoalmente, sempre apoiou a pretensão do grupo de cidadãos.

“Eu continuo a pensar que o traçado a norte era mais vantajoso para a freguesia, porque passava numa zona de pinhal e salvaguardava terrenos agrícolas. Era a melhor solução em termos de planeamento”, afirmou.

O autarca adiantou que, com esta decisão, a Junta e a Assembleia de Freguesia “passaram por cima de uma quantidade de pessoas que estavam a apoiar esta versão”.

Esta reunião surgiu depois de uma comissão de cidadãos ter entregue ao executivo camarário um abaixo-assinado contra o traçado previsto para a via de ligação da EN235 à UTMB, que a ERSUC está a construir em Eirol.

Na petição, subscrita por mais de 700 pessoas, os signatários consideram que o traçado proposto pela Câmara “corta uma área significativa de terrenos agrícolas” e “é mais um eixo de fragmentação do território”.

Em declarações à Lusa, Carlos Lopes, do movimento cívico, realçou que a solução defendida pela autarquia “intercepta duas vezes o traçado previsto para o TGV, com todos os custos que estas obras vão ter”.

Em alternativa, os moradores defendem um traçado que passa mais a norte, no limite da freguesia, atravessando terrenos florestais e que não intercepta a linha do TGV.

“O traçado que propomos é mais curto em cerca de 300 metros e o volume de aterro necessário para executar a obra é substancialmente menor do que com a proposta da autarquia”, acrescentou Carlos Lopes.

Segundo o mesmo responsável, esta solução foi apresentada em 2009 ao presidente da Câmara, Élio Maia, que a “aceitou de braços abertos”.

Carlos Lopes questionou o que terá levado o autarca, que lidera a maioria PSD/CDS-PP que gere o executivo camarário, a desistir desta solução e a voltar atrás.

A futura UTMB, que está a ser construída pela ERSUC em Eirol, vai receber 190 mil toneladas de resíduos por ano.

De acordo com as previsões da empresa, a unidade deverá ficar concluída no verão, entrando depois na fase de testes, e o aterro de Aveiro será encerrado.